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Vendedores, aprendam a vender!

por Putz da Vida

É impressionante verificar a baixa qualidade dos profissionais que há por aqui. Tenho um automóvel com cerca de 8 anos e pensei que já está na hora de trocá-lo por um zero. A quantidade de marcas e modelos disponíveis no mercado é gigantesca. Até parece que não somos um país miserável!

Já faz algum tempo que venho me interessando pelos anúncios de jornais, revistas e TV. Foquei em duas marcas e modelos compatíveis com meus desejos e meu bolso. Um nacional e um importado.

Numa tórrida tarde de quarta-feira, saindo do dentista, resolvi visitar uma concessionária de uma das marcas escolhidas. Estacionei, entrei e dirigi-me à recepcionista. Linda e com a cara meio amarrada.

– Gostaria de ver o modelo XYZ.

– Seu nome? – Perguntou ela.

– Putz.

– Como?

– Pê, Uuuu, Tê, Zê.

– Telefone?!??

Pensei falar aquela piadinha besta de que minha mulher é ciumenta etc., mas desisti. Dei o da minha casa.

– Celular?

– NÃO quero dar o celular.

Com cara de maus amigos, a recepcionista pegou o telefone e quase gritou através do sistema de som: “UM VENDEDOR NA RECEPÇÃO, POR FAVOOOOR!”. Apareceu uma outra boneca bem sorridente e, enquanto pegava as anotações da recepcionista, me estendeu a mão.

– Muito prazer, doutor Putz. Meu nome é Frederica (nome fictício). Em que posso servi-lo?

Eu quase respondi que queria um X-Burguer, mas me contive.

– Quero ver o modelo XYZ.

– Ótima escolha, Dr. Putz. (Doutor? Ela nem é flanelinha!).

Levou-me até o carro e começou a falar:

– É o melhor da categoria. Ótima performance, bancos de couro, GPS, etc., etc. Temos nas cores cinza, vermelho, preto e branco.

Enquanto ela falava, olhei todos os dados em uma folha colada no vidro lateral.

– Gostaria de fazer um test-drive, falei.

– Sinto muito, mas não dispomos de carros para test-drive.

– Incrível, disse eu. Como posso comprar um carro, sem ao menos ter dado uma voltinha?

– É, disse ela. Eu entendo, mas, temos vendido inúmeras unidades. Nossa marca tem muito prestígio.

Agradeci e saí.

Que calamidade! Será possível que o dono ou gerente dessa concessionária não tem mesmo a menor noção de técnicas de venda? Não sabe, ele ou ela, que existe um protocolo mínimo de comportamento para quem trabalha com vendas? Será que quem contratou aquelas funcionárias sabe como vender? Não acredito.

Conto o resto da história. Cheguei em casa e continuei me indagando como será que aquela loja vende carros. Será que o preço é muito competitivo? Entrei na internet, procurei por outra concessionária daquela marca e resolvi telefonar. Atendeu uma voz feminina.

– AutoXXXXX, boa tarde!

– Poderia falar com um vendedor, por favor?

– Pois não, qual é o seu nome?

– Putz.

– Um momento, Sr. Putz.

Cerca de dez segundos depois: – Alô, pois não, Sr. Putz, boa tarde!

– Eu gostaria de saber se vocês têm o modelo XYZ em estoque e se eu poderia fazer um test-drive.

– Sim, senhor, temos em várias cores e com opcionais diversos. Estamos às ordens e, se o senhor preferir, eu posso buscá-lo com o carro de teste e depois poderemos vir até aqui para discutir opcionais e preços – os nossos são imbatíveis; não perdemos concorrências.  Aliás, o azul que o senhor vai dirigir é maravilhoso!

Adivinhe onde eu vou comprar o carro?

 

Putz da Vida é Engenheiro Civil e Eletricista, pós-graduado em Administração de Empresas com especialização nos EUA. Após um breve período na construção civil, trabalhou durante mais de 40 anos como executivo. Aposentado, faz consultorias eventuais e estuda música.

Putz da Vida escreve aos domingos aqui no Universo Jatobá.

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