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Taís Araújo no Conversa com a Jatobá

por Universo Jatoba

1º bloco

Rosana Jatobá – Oi pessoal, boa tarde! Seja muito bem vindo. Começa agora o programa Conversa com a Jatobá. A minha convidada de hoje é uma das grandes atrizes do nosso país, muito versátil, atua no cinema, no teatro, na TV, já fez várias minisséries. Agora é mãe, foi considerada uma das mulheres mais lindas do mundo e olha, depois da maternidade então vocês precisam ver, está mais atraente, mais sensual, mais elegante ainda, Taís Araujo.

Taís Araújo – Nossa, quantos elogios. Eu vou até acabar acreditando nisso gente.

Rosana Jatobá – Pára que você sabe. Aliás aproveitando, como é que você lida com essa coisa da beleza, de ser considerada realmente uma das mulheres mais lindas?

Taís Araújo – Eu acho muito engraçado porque não é o que eu vejo quando eu acordo.

Rosana Jatobá – Mas o Lázaro Ramos, seu marido, vê?

Taís Araújo – Ai dele que não veja! A obrigação dele é achar tudo isso! (risos) Eu acho engraçado porque essas eleições são muito mais baseadas no seu ano de trabalho. De repente você faz uma novela de destaque, acho que não tem uma ligação direta com beleza mesmo essas eleições.

Rosana Jatobá – Mas você se considera ou não uma mulher bonita?

Taís Araújo – Eu me considero maquiada bem direitinha. A maquiagem joga à meu favor. Sem maquiagem, absolutamente normal.

Rosana Jatobá – Você tá sem maquiagem!

Taís Araújo – Não tô sem maquiagem não. Eu tô com corretivo, rímel, blush e você me emprestou o seu batom (risos).

Rosana Jatobá – Mas esse sorriso que você tem Tais, aí realmente irradia, você é solar.

Taís Araújo – Eu sou, eu sou super diurna. Eu tô sempre feliz, essa é uma característica minha de verdade. Tô sempre otimista, sou mais da positividade, sabe.

Rosana Jatobá – Taís, a gente começou o programa hoje com essa música “Protesto Olodum”, uma música do grupo Olodum, um grupo baiano, um bloco afro de Salvador. Essa música é uma homenagem ao Mandela, dentre outros líderes humanistas que a gente tem no mundo. Nelson Mandela foi embora essa semana, nos deixou aos 95 anos vítima de uma infecção pulmonar. A sua relação com essa questão racial é muito intensa, você já manifestou em vários eventos. Como é que você vê a contribuição de um líder como esse que foi tão importante no mundo?

Taís Araújo – Eu tenho uma relação com a história do Mandela que é muito forte. Na minha adolescência eu tinha uma foto do Mandela grudada na minha parede. O Mandela quando veio ao Brasil, eu corri atrás pra almoçar com ele no Palácio da Alvorada. Eu consegui um convite, fui felicíssima pra almoçar com ele aqui no Brasil. Eu lembro que quando eu olhei pra aquele homem eu dei a mão pra ele e disse muito  obrigada. Foi a única coisa que eu consegui falar. Ele é um homem representativo. Viveu 95 anos, deixou um legado pra nossa geração e para as gerações que vão vir a seguir, gigante para o mundo. Eu tenho muito orgulho de ter visto esse cara e de viver no mundo na mesma época que esse cara viveu e acompanhar tudo que ele fez. A gente tem que rezar muito por ele, é um cara que a gente tem que aplaudir muito.

Rosana Jatobá – O Mandela ficou mundialmente conhecido por lutar contra o Apartheid, que era o regime de segregação racial na África do Sul. Você ao longo da sua carreira em algum momento você se sentiu marginalizada, vítima de algum tipo de preconceito?

Taís Araújo – O tempo inteiro, né. A gente vive no Brasil.O Brasil é um país preconceituoso, eu sofro preconceito da hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir. O preconceito não tá só em me tratar mal numa loja, tá em entrar em uma loja, por exemplo, olhar a minha volta e não ter ninguém igual a mim sentado comendo no restaurante. As pessoas que estão ali são iguais a mim estão ali me servindo só. Mas elas não tem a possibilidade de estarem ali sentadas. Não foi dada a elas a possibilidade de estudo, esse é o preconceito.

Rosana Jatobá – E nesse momento é uma coisa que te entristece, te incomoda?

Taís Araújo – Muito, então é difícil, tá muito difícil. Na minha casa não era um assunto, não era um tema debatido. Muitas casas debatem muito e até assustam, mas na minha não era debatido. Aí quando eu fui pra rua e eu vi que o Brasil era um país extremamente preconceituoso, não tinha o que fazer, não tinha armas pra lutar verbalmente, nem de atitudes. Eu estava absolutamente despreparada.

Rosana Jatobá – E na escola?

Taís Araújo – Dificílimo. Muito difícil em todas as escolas que eu estudei até porque eu só estudei em escolas tradicionais particulares. Então muitas vezes você contava nos dedos de uma mão e ainda sobrava dedo, quantos alunos negros tinham naquela escola inteira. Hoje em dia a coisa tá mais diferente, mas na minha época era muito difícil e aí eu enfrentava o que era instintivo.

Rosana Jatobá – Qual foi a sua fonte pra você hoje se colocar de uma forma tão clara e sensata sobre o tema?

Taís Araújo – A maturidade.

Rosana Jatobá – Muita informação também, muita leitura?

Taís Araújo – E muita leitura e vivência mesmo porque até há bem pouco tempo eu não tinha um discurso muito claro, nem articulado, nem muito o que pensar ou o que falar. Ou até tinha o que falar e o que pensar, mas eu era tão passional que eu não conseguia comunicar, que eu não conseguia fazer com que o outro entendia. Às vezes a pessoa não conseguia entender claramente o que eu queria passar.

Rosana Jatobá – Você viu Nelson Mandela quando você tinha 16 anos de idade e agora 20 anos depois ele se vai. Agora a gente tá indo para o segundo bloco do nosso programa Conversa com a Jatobá. Qual é a sua mensagem para o Nelson Mandela vinte anos depois?

Taís Araújo – Eu detesto essa coisa de falar em rede social, de a pessoa morrer, fico sempre achando meio esquisito. Eu botei só muito obrigado. Obrigado por ter acabado com essa história do Apartheid, ter possibilitado a gente ver que de fato vale batalhar pelo que vale a pena. Você ter um ideal vale a pena, o quanto vale a pena você se dedicar ao que você acredita. Então acho que o Mandela deixa uma série de mensagens humanísticas, de conquistas, de que vale a pena a gente batalhar, se entregar, se expor para o ideal que a gente acredita. Eu acho isso fundamental e agradecer porque sem ele o mundo seria muito mais difícil do que já é hoje em dia.

Rosana Jatobá – Muito bem. Vamos ouvir então “Mandela Day” do grupo Simple Minds. Até já, daqui a pouco a gente volta no Conversa com a Jatobá.

2º bloco

Rosana Jatobá – De volta no Conversa com a Jatobá, hoje com a grande atriz Taís Araujo. Taís, a gente está ouvindo aí “Aqui é o país do futebol”, uma composição do Milton Nascimento e do Fernando Brant. Brasil, país do futebol muito apropriado por conta da Copa. E ontem nós tivemos o sorteio das chaves da Copa, inicialmente quem iria fazer esse sorteio seria o Lázaro Ramos, o seu marido, com a atriz Camila Pitanga. Só que a Fifa substituiu o casal pela Fernanda Lima e o marido dela, o Rodrigo Hilbert. Isso causou muita polêmica nas redes sociais, pessoas alegando que houve preconceito. Como é que essa notícia chegou até vocês?

Taís Araújo – Chegou como chegou pra todo mundo.

Rosana Jatobá – Não teve nada oficial?

Taís Araújo – Não chegou um convite oficial para o Lázaro lá em casa. Chegou como chegou pra todo mundo, então criou-se uma especulação e polêmica atrás de polêmica. Mas de fato não chegou um convite.

Rosana Jatobá – Mas o Lázaro e a Camila já tinham sido formalmente convidados?

Taís Araújo – Não, não.

Rosana Jatobá – Eu falo isso porque inclusive essa notícia repercutiu até fora do país, na revista Forbes, que disse que foi uma escolha infeliz essa troca.

Taís Araújo – Na verdade a gente nem sabe se houve uma troca mesmo. Parece que foram cotados e parece que foram cortados. Você ter uma opinião sobre especulação é esquisito, é no mínimo leviano. O que eu acho é que se foi um caso de preconceito, eu acho que não se pode brincar em cima disso. Tem que ser discutido, não pode fazer gracinha. De tudo que eu vi falando a única coisa que bateu meio mal foi que eu vi pessoas fazendo gracinha em cima da história. Aí eu acho que é falta de respeito.

Rosana Jatobá – Outra questão muito polêmica é com relação às cotas para negros nos concursos públicos, nas universidades, eu queria saber se você acha que isso é positivo no sentido de compensar uma dívida histórica que nós temos, ou não, isso só vai ajudara reforçar o preconceito?

Taís Araújo – Eu sou super a favor das cotas. Porque eu acho que é desigual, acho que é uma dívida por questão histórica e acho que ainda tem a questão das escolas públicas, elas estão muito aquém do que de fato deveria oferecer pra sociedade. É desigual, é injusto. Óbvio que se você abrir a porta de uma escola particular, você vai encontrar uma maioria esmagadora branca. Se você abrir uma porta de uma escola pública, você vai encontrar uma maioria esmagadora negra. Isso tem que se igualar de alguma maneira e essas políticas afirmativas servem pra isso.

Rosana Jatobá – Pelo menos temporariamente ou você acha que isso deve ser implantado?

Taís Araújo – Eu acho que ela deveria ser temporária se tivesse investimento nas escolas públicas.

Rosana Jatobá – Pra tentar com o tempo chegar a essa igualdade.

Taís Araújo – É, fala vamos manter durante 20 anos uma geração, 16 anos, 20 anos e o investimento no ensino público vai ser pesado e daqui a 20 anos você vai abolir as cotas e todo mundo vai pode competir de igual pra igual.

Rosana Jatobá – A gente tá falando das políticas públicas, mas eu quero falar agora do mundo artístico. Você é a primeira protagonista negra da televisão, da TV Globo, na novela “Da cor do pecado”. Tinha o Paco, né. O Giane fazia o Paco. Eu me lembro que meu marido interrompia o trabalho dele pra ver essa novela.

Taís Araújo – Olha, era uma novela das 7.

Rosana Jatobá – E eu perguntava pra ele: “Você tá tão fascinado pela Taís Araujo?” E ele dizia: “Gosto muito da Taís, mas eu quero ver o Paco” (risos). E aquilo ficou na minha cabeça, né. Você acha que essa é uma forma de reforçar a autoestima da mulher negra tendo como protagonista uma representante?

Taís Araújo – Ah, eu acho que sim. A novela foi um sucesso e onde passa ela vai super bem. Já foi reprisada duas vezes e ela só tem 10 anos.

Rosana Jatobá – E fora do Brasil também, né?

Taís Araújo – Muito, muito vendida. Acho muito importante, era um momento muito especial do país, a gente tava mudando o governo, a esperança era gigantesca. Essa novela foi acompanhada de toda essa onde de esperança que tinha naquele momento. Então é muito importante que a gente se veja representado e se reconheça.

Rosana Jatobá – E agora você tá no teatro com a peça…

Taís Araújo – “Caixa de areia”.

Rosana Jatobá – Que está aqui em São Paulo até domingo que vem.

Taís Araújo – Até domingo, dia 15.

Rosana Jatobá – Ou seja, os paulistanos só têm mais uma semana pra te ver atuando lá no palco. Fala um pouco pra gente da peça!

Taís Araújo – Essa peça é escrita pelo Jô Bilac, que é um autor super novinho, tem 30 anos. Já ganhou Prêmio Shell, é um menino brilhante. É um autor muito interessante que a gente tem e que melhora a cada ano. Ele só tem 30 anos, então cada texto dele é melhor do que o outro. Ele é o diretor da peça também junto com o Sandro Pamponet, é uma peça que eu produzo. Eu tô produzindo também, é uma alegria. A peça fala sobre crítica. A gente tem uma protagonista chamada Ana, que é dividida entre duas atrizes, entre a Cris Larin e a Júlia Marini. Uma faz a Ana mais jovem e a outra a Ana mais experiente. E a peça começa com essa mulher entrando de um enterro, que é o enterro do ex-marido dela. E ela vai fazendo uma reflexão sobre a vida dela em cima de três enterros que marcaram a vida dela. Ela divide a vida dela em três etapas que são três mortes. Uma a morte de uma vizinha, que ela viu se jogando do apartamento, outra a morte do filho dela e outra a morte do ex-marido dela.

Rosana Jatobá – Nossa, tragédias!

Taís Araújo – Tragédias, mas muito bom pra se refletir sobre a superação, sobre a crítica também. O Jô pegou uma família pra contar essa história. Então essa mulher quando chega desse enterro, que a vida dela vai passando pela cabeça dela e a maneira que o Jô escolheu pra transformar isso em dramaturgia, foi botar um apartamento, tudo acontece dentro desse apartamento e os tempos se cruzam. A gente tá num espaço único e tempos que se cruzam. Pra você ter uma ideia, eu faço a mãe dela. Então ela com 50 anos encontra a mãe quando a mãe tem 30 e elas discutem, elas tem quase uma redenção aí dessa relação. A Ana como é uma mulher muito crítica e nasceu numa família muito crítica, e ela também é crítica de arte, ela tem a oportunidade de conversar com a mãe mais nova e entender as opções daquela mãe. Por que a mãe teve aquelas atitudes? Então a peça é de reflexão. Você tem que entrar ali e estar disposto a embarcar naquilo. E as pessoas saem muito tocadas. Com o passar dos anos, vamos olhando para os nossos pais de uma maneira muito mais generosa. A peça permite que a gente faça essa análise até da nossa própria vida.

Rosana Jatobá – Vamos ouvir um trechinho da peça então.

Taís Araújo – Ouvir um trechinho? Gente, eu nunca vi teatro assim. Que engraçado, eu já vi filmado!

3º bloco

Rosana Jatobá – A minha convidada de hoje aqui no Conversa com a Jatobá é a brilhante atriz Taís Araújo. Taís, essa música “Andar com fé” do Gilberto Gil é um clássico da MPB, você gosta muito dele, né?

Taís Araújo – Eu amo Gil, é cada vez melhor. As letras do Gil são de uma generosidade, uma maturidade, de uma serenidade. Ele transmite paz, qualquer coisa que ele vai falar.

Rosana Jatobá – Sabedoria, né?

Taís Araújo – Sabedoria.

Rosana Jatobá – E você é uma mulher que tem uma fé, uma religiosidade, uma espiritualidade?

Taís Araújo – Eu tenho muita fé.

Rosana Jatobá – Fé em que?

Taís Araújo – Eu tenho fé em Deus, muita.

Rosana Jatobá – E tem algum ritual na sua vida diária?

Taís Araújo – Eu rezo antes de dormir, peço benção aos meus pais, meu filho já pede benção antes de dormir. Agora a gente tá tentando implantar um “Bença, mainha”, “Bença, painho” dentro de casa (risos). Estamos adestrando (risos).

Rosana Jatobá – Por causa do seu marido, o Lázaro Ramos, que é outro baiano que você ama?

Taís Araújo – É, exatamente.

Rosana Jatobá – E ele dava “Benção, mainha” e “Benção, painho”?

Taís Araújo – Pede. Quando meu filho fala, ele vê o quanto a gente fica louco e criança muito esperta fala “Benção, maninha”, já esperando um ataque, né.

Rosana Jatobá – Quais são as suas preocupações com relação à educação do João?

Taís Araújo – Eu queria tanto criar um cara legal, bacana, generoso, com olhar para o próximo. Um olhar de respeito para o outro.

Rosana Jatobá – E você se preocupa com relação a essa questão da sustentabilidade, do futuro do planeta, da preservação do meio ambiente, como passar pra ele esses conceitos?

Taís Araújo – Muito, essa geração já vem como uma geração de pais que já são preocupados. A gente se preocupa em passar pra eles e as escolas já passam. Coisa diferente da minha geração, não tinha muito essa preocupação. Eu espero muito que seja uma geração mais preparada pra isso. A nossa geração é do desperdício, né.

Rosana Jatobá – Com certeza. Em casa que tipo de atitude você tem? Por exemplo, coleta do lixo, separação do lixo, você faz?

Taís Araújo – Tenho. Lá em casa eu ralo pra conseguir fazer isso. Eu moro em casa, não moro em apartamento. Em apartamento você tem um síndico que determina que se não jogar vai ser multado, aí todo mundo fica apreensivo e todo mundo meio que obedece. Na minha casa não.

Rosana Jatobá – Mas o pessoal acaba fazendo não é tão difícil.

Taís Araújo – Acaba. Não é tão difícil, o negócio é hábito. Tem uma coisa que eu admito que eu ainda não consigo largar, o jornal impresso. É uma coisa que eu vou ter que me educar. Mas é hábito, eu sei que a partir do momento que eu deixar de assinar o jornal impresso e assinar o jornal digital…

Rosana Jatobá – Você vai economizar muitas árvores.

Taís Araújo – Sim, porque o prazer que eu tenho em abrir o jornal no café da manhã é tão grande.

Rosana Jatobá – Daqui a pouco o João já vai estar com um Ipad dele.

Taís Araújo – Ipad ele não vai ter não, até quando eu conseguir segurar.

Rosana Jatobá – Você fica com medo do que, dos riscos da tecnologia, das janelas que podem de abrir aí?

Taís Araújo – Também, mas é da criança ter tudo. Eu não tinha tudo. Muito medo de criar uma criança mimada.

Rosana Jatobá – Você quer ter mais filhos?

Taís Araújo – Quero.

Rosana Jatobá – Já tá planejando?

Taís Araújo – Planejando.

Rosana Jatobá – Tá treinando?

Taís Araújo – Todo dia que dá.

Rosana Jatobá – Ê beleza (risos)! Então vamos lá, uma música para o Lázaro Ramos, já que ela tá treinando tanto assim com o maridão. Oferece uma música pra ele aí! Aproveita e se declara pra ele, esse grande ator que o Brasil tem, Lázaro Ramos, baiano, meu conterrâneo.

Taís Araújo – Tem uma música tão fofa lá do início do nosso namoro que é “Quase nada”.

Rosana Jatobá – Ela fica muito emocionada viu, Lázaro. Pelo menos um eu te amo.

Taís Araújo – Não gente, pelo amor de Deus. Assim na rádio? Não vai dar o comercial minha gente!

Rosana Jatobá – Até já no Conversa com a Jatobá. Daqui a pouco a gente volta com a Taís Araújo!

4º bloco

Rosana Jatobá – De volta no Conversa com a Jatobá. A gente tá ouvindo aí a música “Daquele Amor nem me fala” com Elza Soares, uma composição dessa grande artista da Música Popular Brasileira que a Taís Araujo, nossa convidada de hoje aqui no programa, interpretou no cinema. Não é isso, Taís?

Taís Araújo – Foi no filme “Estrela Solitária”, que era a biografia do Garrincha.

Rosana Jatobá – E a Elza, você teve contato com ela depois? Ela falou o que a respeito do filme?

Taís Araújo – Tive. A Elza não viu, ela falou que não tinha coragem. Porque é a história da vida dela e deve ser muito duro mesmo. Eu me lembro que durante o meu processo de criação eu tentava encontrar a Elza e nunca conseguia. Eu peguei a biografia dela, peguei o livro do Garrincha também, peguei várias entrevistas dela e falei vou criar como se fosse um personagem de dramaturgia clássico. Como se não fosse uma pessoa contemporânea nossa que tá aqui.

Rosana Jatobá – E você foi premiada, né? Crítica super favorável.

Taís Araújo – Foi muito legal, muito bom.

Rosana Jatobá – Ela teve uma relação muito conflituosa com o Garrincha, o grande astro do futebol, bem diferente da relação que você tem o Lázaro. Pelo menos vocês mostram muita serenidade. Muita tranquila, né?

Taís Araújo – É, a minha é muito calma. Graças a Deus!

Rosana Jatobá – Vocês conseguiram ali uma harmonia que é muito inspiradora.

Taís Araújo – Ai, obrigada. Mas é trabalhosa também, como todo casamento. São muitos anos juntos. É muito trabalhoso, mas é muito gostoso porque vale a pena.

Rosana Jatobá – Você conheceu ele como?

Taís Araújo – Uma amiga em comum apresentou.

Rosana Jatobá – Mas ele achou que ia dar certo

Taís Araújo – Tava tudo muito armado.

Rosana Jatobá – Ela falou pra você que queria te apresentar o Lázaro?

Taís Araújo – Conversa de camarim. Mulher fala muito em camarim, né.

Rosana Jatobá – Que amiga é essa? Ela é conhecida?

Taís Araújo – É a Liliana Castro, ela é atriz.

Rosana Jatobá – Conversa de camarim, eu falei que achava ele interessante. Você tinha visto ele primeiro onde?

Taís Araújo – Na “Máquina”, na peça.

Rosana Jatobá – E aí você viu a performance e ficou com ele na cabeça?

Taís Araújo – Essa história é uma novela. Ele também tinha falado com o Vlad na época que ele fez o “Sexo Frágil”.

Rosana Jatobá – Vladmir Brichta, que é amigo dele de muitos anos. Ele falou da sua beleza, da sua inteligência.

Taís Araújo – Aí eles trabalharam, né. Os amigos começaram um trabalho árduo de convencimento pra conciliar as agendas.

Rosana Jatobá – E você saíram?

Taís Araújo – Não.

Rosana Jatobá – Foi lá no camarim mesmo?

Taís Araújo – Foi muita coisa de telefone, demorou muito tempo pra se concretizar.

Rosana Jatobá – Aí fico ali no encantamento. E quando você decidiu realmente formalizar alguma coisa?

Taís Araújo – Ai, tenho tanta vergonha de falar essas coisas!

Rosana Jatobá – E o beijo, quando foi o primeiro beijo?

Taís Araújo – Tem nove anos.

Rosana Jatobá – Mas em que situação, foi no palco?

Taís Araújo – Jesus! Gente, eu tenho muita vergonha de falar essas coisas! Eu não consigo, eu não consigo!

Rosana Jatobá – Em que momento você percebeu é o homem da minha vida, vou dar um filho pra ele, ele merece?

Taís Araújo – Vou fazer 10 anos junto com o Lázaro. Eu tenho nove anos de casada. Acho que foi quando a gente decidiu casar mesmo. O João veio depois que a gente estava sete anos juntos.

Rosana Jatobá – E você é ciumenta?

Taís Araújo – Não sou muito, não.

Rosana Jatobá – Não? E quando ele dá aquele beijo assim naquela outra atriz?

Taís Araújo – Não, isso eu lido super bem. No início do nosso namoro eu fui assistir “Cidade Baixa” com ele, você viu?

Rosana Jatobá – Acho que eu vi.

Taís Araújo – É ele, o Wagner e a Alice Braga. Gente, o filme não é bolinho, não. Era início de namoro, quando eu vi aquelas cenas fortíssimas e gruda na parede. Eu falei assim, se eu passei dessa eu posso aguentar qualquer coisa.

Rosana Jatobá – Aquele beijinho que ele deu na Luana Piovani?

Taís Araújo – Que beijinho? Onde?

Rosana Jatobá – No “Ó meu pai Ó”. Ela não fez uma participação?

Taís Araújo – Fez, não só a Luana. A Luana, a Camila, todos os pares.

Rosana Jatobá – Aí você nem se incomoda?

Taís Araújo – Não porque também beijo muito do meu lado, né,  gente! (risos)

Rosana Jatobá – Vocês estão planejando algum trabalho juntos aí nos próximos anos?

Taís Araújo – Estamos planejando, é um plano pra médio prazo.

Rosana Jatobá – Mas nem pra mim você vai abrir um pouco?

Taís Araújo – Ih, não vou poder abrir pra você. Tá muito prematuro ainda, mas a gente vem aqui, eu e ele. Aí você vai fazer todas essas perguntas que eu fico suando, você vai fazer pra ele.

Rosana Jatobá – Pode deixar. Inclusive eu já faço o convite para o Lázaro Ramos vir ao nosso programa Conversa com a Jatobá. Eu soube hoje através da Taís que eu fui a primeira jornalista a entrevistar o Lázaro Ramos, isso é uma honra pra mim.

Taís Araújo – Ele sempre fala isso.

Rosana Jatobá – Que maravilha, que prazer! Um beijo, Lázaro e apareça aqui no Conversa com a Jatobá. E na novela das 7, a próxima, você é a protagonista. A internet tá dizendo que você vai ser uma vilã.

Taís Araújo – A internet é uma mentirosa. A internet é uma loucura porque sai cada notícia não verdadeira que às vezes a gente se perde. Eu entendo que as pessoas se percam também e divulgam aquela notícia que não é verdadeira. Não, eu não sou a vilã da próxima novela. Na verdade eu faço a heroína da novela.

Rosana Jatobá – Como é o personagem?

Taís Araújo – É uma novela que tá muito no início, eles não estão falando nada por enquanto.

Rosana Jatobá – Você não pode falar nada, nem planos com o Lázaro, nem da novela?

Taís Araújo – Não, olha como a pessoa vem aqui e eu só posso falar da peça gente. Mas é a próxima novela das 7 que é dos mesmos autores de Cheias de Charme, que é o Filipe Miguez e a Izabel Oliveira. Pouquíssima coisa foi divulgada sobre essa novela porque a novela das 7 acabou de estrear também. Não é nem elegante com os outros colegas também.

Rosana Jatobá – Eu vi que você participou de uma campanha muito importante de uma empresa muito conhecida no Brasil que apoia a SOS Mata Atlântica e o nome da campanha é “Eu abraço a sustentabilidade com estilo”. Você emprestando a sua imagem para promover um tema que é super importante da preservação do meio ambiente. Que tipo de engajamento você tem com esse tema?

Taís Araújo – Fundamental, é aquilo que a gente tava falando da educação dos filhos, de como a nossa geração não foi preparada e como é importante a gente aprender o que a gente pode fazer pra melhorar ou pelo menos estagnar os males já feitos pra que a gente consiga ter um mundo melhor daqui pra frente. Ou pelo menos parar o desmatamento, por exemplo, parar o que a gente tem feito de mal. Acho que o desenvolvimento tem que ser responsável, a tecnologia tem que ser responsável, as nossas atitudes tem que ser responsáveis e pensadas. Não pode sair nesse ímpeto da conquista, do desbravamento, do consumo. Não dá porque vai acabar porque a gente não tem tantas fontes renováveis assim. Então a gente tem que parar pra pensar e agir de maneira responsável.

Rosana Jatobá – E você tem essa preocupação com o seu estilo de vida, por exemplo, com relação ao consumo, você faz melhores escolhas hoje em dia?

Taís Araújo – Faço. Mesmo que eu tiver que comprar uma coisa, eu prefiro comprar uma coisa boa do que comprar 300 coisas. Eu compro uma coisa que eu sei que eu vou usar, que é clássica e que eu sei que vou usar durante muitos anos.

Rosana Jatobá – E qual é o seu pecado de consumo, aquele impulso que vocês muitas vezes diz que não precisava disso?

Taís Araújo – Você sabe que eu acho que eu não tenho, eu já tive. Eu tive maluquice por sapato, maluquice por bolsa. Acho que a maternidade me trouxe uma outra perspectiva. Eu provei isso esse ano, passei três meses em Nova York com a minha família e eu entrava nas lojas e via bolsas e não comprei nada dessas coisas.

Rosana Jatobá – Você foi estudar em Nova York, se aperfeiçoar?

Taís Araújo – Fui estudar inglês. Na verdade fui ficar com o meu filho, porque como a gente trabalha muito e fica muito tempo fora de casa, ele nunca tinha tido pai e mãe ao mesmo tempo dentro de casa.

Rosana Jatobá – Nova York, lindo lugar, maravilhoso o consumo e a sua conexão com a natureza, você é da natureza, de ficar descalça na terra, de ter esse contato com o mato?

Taís Araújo – Eu sou muito cosmopolita, gente.

Rosana Jatobá – É muito urbana?

Taís Araújo – Muito urbana.

Rosana Jatobá – Como é que tá a sua carioquice?

Taís Araújo – Pois é gente, eu sou carioca do Méier, da zona norte. Não tem praia, tem a linha do trem, tem o asfalto quente, tem o calor. Eu sou muito urbana, mas eu dou muito valor a uma praia gostosa. Agora então meu filho é alucinado por praia.

Rosana Jatobá – Pela Bahia, né?

Taís Araújo – Alucinado pela Bahia, louco pela Bahia. Se você falasse se eu gosto de ficar mais no campo ou na praia, eu vou dizer que eu quero ficar numa praia quietinha, numa praia calminha. Aí eu já não gosto de praia urbana. Uma praia calminha que eu possa brincar com o meu filho, as praias do Nordeste sensacionais.

Rosana Jatobá – E bicho?

Taís Araújo – Adoro cachorro, meu filho também é alucinado por cachorro. Tô louca pra ter um cachorrinho pra ele. É tão lindo esse contato com animal, eu tive cachorro por tantos anos na minha vida. Quando eu era pequena tinha muitos gatos, já tive quatro gatos ao mesmo tempo dentro de um apartamento.  Eu amava gato quando eu era mais nova, eu queria ter gatinho agora, um cachorrinho, um bichinho.

Rosana Jatobá – Taís, parabéns pelo João, parabéns pelo Lázaro, pela sua família! No programa Conversa com a Jatobá a gente fala desses temas, sobre o futuro do planeta, das próximas gerações, essa preocupação que a gente deve ter com a promoção humana, com a dignidade da vida humana e também com a preservação do meio ambiente. E você mostrou pra todos nós aqui como você é uma jovem senhora preocupada com essas questões. Parabéns pelo seu engajamento, que o seu exemplo inspire as pessoas. É isso que eu quero aqui no nosso programa.

Taís Araújo – Poxa, eu espero, eu sou preocupada mesmo. Eu quero que melhore, eu quero que os nossos filhos possam ter um país e um mundo bacana que eles possam cuidar. E que eles consigam entender que o que é público é nosso. Então a gente tem que cuidar. Eu quero que meu filho entenda isso e consiga cuidar do mundo.

Rosana Jatobá – E você tá ouvindo o que ultimamente?

Taís Araújo – Eu baixei Los Hermanos que eu amo.

Rosana Jatobá – Então vamos ouvir. O que você quer ouvir aí?

Taís Araújo – “Vencedor” dos Los Hermanos. Gente, um beijo enorme. Espero vocês lá no Cit Ecum. Sexta e sábado às 21h e domingo às 20h. Fica na Consolação, 1623, exatamente em frente ao Cemitério da Consolação. Espero vocês lá!

Rosana Jatobá – Taís, um beijo grande, dá um beijo grande no Lázaro por mim.

Taís Araújo – Obrigada, vou dar, muitos.

Rosana Jatobá – Fala pra ele que ele tá convidadíssimo aqui. E pra você que tá ouvindo até a semana que vem, foi um prazer enorme, tenho certeza que você curtiu essa entrevista com a Taís Araujo. Ela é encantadora, um beijo, até mais, tchau!

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