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Estudantes em greve

por Putz da Vida

Nunca fui engajado, sequer tive interesse em nenhum tipo de política partidária ou estudantil. Talvez por preguiça, inapetência, insensibilidade ou ignorância. Alguns dos meus colegas da faculdade declaravam-se comunistas e eram sempre candidatos a algum cargo no Centro Acadêmico. Estavam sempre atiçando greves contra quase tudo. Greve contra os professores, contra os políticos, contra a reitoria, a favor dos direitos dos povos indígenas, pela reforma agrária, contra o capital, contra as guerras, etc.

Apregoavam, aos berros, que os norte-americanos eram os grandes responsáveis pela miséria no mundo e que os tentáculos de seu imperialismo sufocavam os países mais pobres, como o nosso, e que também sustentavam ditaduras corruptas. Somente a União Soviética lutava e estava vencendo o monstro do capitalismo predatório ocidental e lá sim havia a verdadeira e almejada justiça social. Marx, Lenin, Stalin, Trotsky, Kruchev e Mao Tse Tung eram os grandes ídolos benfeitores da humanidade.

As greves convocadas eram pouco respeitadas e tinham pouca adesão, apesar dos grupos de “convencimento”.

Minha faculdade era particular e não era barata. Nossa carga horária era bem pesada e não havia muito tempo para atividades extracurriculares.

Fico pensando como é que eclodem tantas greves de estudantes nos dias de hoje. Semanas e semanas de greve e, no fim, todos acabam passando de ano. Qual será a qualidade desses profissionais?

As greves são quase invariavelmente lideradas por estudantes de ciências sociais e acontecem nas universidades públicas que são gratuitas Não me lembro de greves importantes em escolas de medicina e engenharia ou em faculdades pagas.

Parece-me incongruente que alunos provoquem suspensão das aulas e paralisações que duram semanas, quando estão ali justamente para estudar e terminar seus cursos o mais rapidamente possível. É curioso observar que somente uns poucos desses líderes estudantis entram para a política e se saem bem. A maioria acaba mesmo no limbo e só serviu de mão de obra barata para os verdadeiros interessados em um trampolim político.

O que se constata pela leitura dos jornais é que, pelo menos na USP, existem vários “estudantes profissionais”, que moram nos dormitórios da própria USP e frequentam seus cursos há muitos anos. Não entendo por que, não foram ainda jubilados. Consomem dinheiro público e não dão nada em troca para a sociedade.

 

Putz da Vida é Engenheiro Civil e Eletricista, pós-graduado em Administração de Empresas com especialização nos EUA. Após um breve período na construção civil, trabalhou durante mais de 40 anos como executivo. Aposentado, faz consultorias eventuais e estuda música.

Putz da Vida escreve aos domingos aqui no Universo Jatobá.

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