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E-readers e e-books na luta contra o analfabetismo

por Renata Cardarelli

Setecentos e setenta e quatro milhões. Esse é o número de analfabetos existentes no mundo, segundo a Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Com relação às crianças, 57 milhões estão fora da escola primária. O Brasil, por sua vez, tem apresentado avanços graduais, porém ainda falta muito para erradicar o analfabetismo e, principalmente, oferecer educação de qualidade para os cidadãos. Por aqui, 94,4% das crianças de 7 a 14 anos têm acesso ao ensino fundamental. Na África Subsaariana, apenas 18% dos jovens recebem educação básica.

Para tentar melhorar os níveis de educação em diversos países do mundo, especialmente nos mais pobres, uma organização não-governamental com sede em São Francisco, nos Estados Unidos, criou um projeto para aproximar a população da literatura – clássica ou moderna. O objetivo da ONG Worldreader é “erradicar o analfabetismo por meio da criação de uma biblioteca com e-books para pessoas de países de baixa renda”.

A internet está aí, disponível para todos e pode ser usada para conseguirmos um mundo mais igualitário. Neste ano, o número de celulares no planeta chegará perto do número de habitantes. Os dados são da União Internacional de Telecomunicações e revelam a explosão no uso dos aparelhos móveis: até dezembro, o número de celulares vai chegar perto dos sete bilhões, ou seja, 96% de todos os habitantes.  E se você pensa que somente os países ricos é que têm acesso à tecnologia, está muito enganado. A penetração dos celulares deve chegar a 90% nos mercados emergentes.

Devemos mesmo é aproveitar a tecnologia para formar um vasto repertório cultural. Você deve estar se perguntando, afinal, como funciona esse tal de Worldreader? Muito simples: a instituição disponibiliza e-readers, os leitores eletrônicos, para escolas, essencialmente africanas. Além disso, é possível ler os livros dessa imensa biblioteca digital por meio de um aplicativo chamado Worldreader Mobile. Com isso, todos podemos ter acesso a livros regionais e clássicos da literatura internacional.

Segundo a instituição, os resultados são animadores, já que “em menos de cinco meses as crianças mostram melhoras significativas na fluência e na compreensão [dos textos]”. Fundada em 2009 por ex-diretores da Microsoft e da Amazon, a instituição atua principalmente em países africanos.

Não se preocupe, contudo, com a qualidade ou a velocidade da internet. Esse conteúdo pode ser baixado em redes de baixa velocidade, já que existe uma tecnologia que permite comprimir dados. Com o compartilhamento das informações na rede, mais de 1,7 milhão de livros já foram lidos, em 36 países de todo o mundo, inclusive no nosso! Por aqui, o número ainda é baixo, mas é animador saber que quase 4,5 mil pessoas já baixaram o aplicativo Worldreader.

Em alguns lugares, há apenas um livro para 78 crianças. Com um e-reader, há 6.280 livros digitais disponibilizados via Worldreader para cada pessoa. Inovações como essa é que nos inspiram e nos deixam otimistas quanto a um futuro melhor para nosso país e nosso mundo.

 

Renata Cardarelli é jornalista e especialista em redes digitais e sustentabilidade pelo Instituto Atopos, da Universidade de São Paulo. Ao lado de cinco profissionais da área de comunicação e sustentabilidade, é idealizadora do projeto Tietê Digital. Atua na apuração da Rádio Globo, onde também é produtora. Além disso, contribuiu com trabalhos esporádicos para Rádio Eldorado, Rádio Gazeta AM e O Estado do RJ e passou pelas redações de portais Comunique-se e InfoMoney e Revista CULT.

Renata escreve às segundas-feiras aqui no Universo Jatobá.

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