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Conversa com a Jatobá recebe Sérgio Reis

por Universo Jatoba

1º bloco

Rosana Jatobá – Oi, pessoal, seja bem vindo ao “Conversa com a Jatobá”. O meu entrevistado de hoje eu vou fazer mistério, vocês vão ter que adivinhar. Por sorte ele trouxe aqui o violão. Ele começou a carreira lá atrás na Jovem Guarda, mas depois caiu de amores pela música sertaneja. Tem uma música que eu adoro.

Sérgio Reis – Eu tô muito feliz de estar aqui com você.

Rosana Jatobá – Sérgio Reis, muito obrigada pela sua presença. É um prazer te receber aqui no “Conversa com a Jatobá”. Eu sei que você tá metido com as questões ambientais, inclusive tem uma campanha que você lançou para a educação para o meio ambiente para a criançada, não é isso?

Sérgio Reis – Sim, para o meio ambiente, para a criançada aprender a dirigir, ensinar nas escolas o que é o trânsito, o que é o jet-ski , o que é o barco. Então, eu lancei um projeto com mais três amigos que estamos fazendo com as prefeituras do Brasil. Ou seja, o governo e a prefeitura levam essa cartilha para as crianças de 6 a 12 anos e é um jogo. Então você joga aquele dadinho, número 12, então você volta três casas porque você está com cabeça fora da janela do ônibus escolar.

Rosana Jatobá – Ensinando noções do trânsito?

Sérgio Reis – Isso, até os 12 anos. Depois disso, a gente já entra com as leis, como é que um pai tem que dirigir e ensinar também que não pode pedir automóvel para o pai, porque é crime.

Rosana Jatobá – É muito sério e é louvável a sua atitude, uma figura conhecida nacionalmente, amada, levando esse tipo de informações para s crianças.

Sérgio Reis – Exatamente, e isso é uma coisa que nós estamos conscientizando e salvando futuras vidas.

Rosana Jatobá – Sérgio, você começou na Jovem Guarda com “Coração de papel”, fez sucesso, mas pouco tempo depois se dedicou à música sertaneja e nunca mais parou. Mas você é da zona norte de São Paulo, da capital paulista, do mundo urbano, como você foi cair de amores pelo universo caipira?

Sérgio Reis – Eu acho que tudo já está escrito, porque não é possível as coisas acontecerem como aconteceram. Meu pai nasceu em Osasco, minha mãe é carioca de Laranjeiras e eu nasci em Santana. A casa que eu moro ainda existe na Rua Andradina, número 11. E eu com 10 anos de idade gostava de ouvir na Rádio Bandeirantes “Na beira da tuia”. Sabe o que é tulha? O caipira fala tuia. Tuia é onde se guarda as enxadas, o saco de milho, as coisas da fazenda. Então, na beira da tuia, sentado ali na beira era programa de Tonico e Tinoco. Eu adorava o som da viola. Meu primeiro som de gostar de música foi meu pai tocando violão, serestas que ele me ensinava a cantar e Tonico e Tinoco.

Rosana Jatobá – Então foi uma inspiração que te capturou, a sonoridade da música sertaneja?

Sérgio Reis – Papai sabendo que eu gostava daquilo, ele me comprou uma violinha. Uma violinha que não afinava de jeito nenhum e o Almir Sater falava assim no show dele “Olha gente, o violeiro passa metade da vida afinando a viola e a outra metade toca desafinado, porque essa coisa não afina nunca” (risos). Eu aprendi a tocar violão em uma viola, os anos se passaram, com 17, 18 anos, o radialista da Bandeirantes de Enzo Almeida Passos, um grande amigo e de repente eu falei “Enzo, me leva pra fazer um teste”. Ele tinha uns programas “Telefone pedindo bis” e “Vitrola mágica”. A gente fazia o“Vitrola Mágica”, o programa era ao vivo, a gente tocava. E eu ia lá cantar, eu Jorge Frite, Márcio, o Ronald, nós tínhamos tudo nome americano. Eu era Johny Johnson.

Rosana Jatobá – E qual foi o primeiro grande sucesso?

Sérgio Reis – Aí foi o “Coração de papel”, mas eu fui para uma gravadora sertaneja, quem eram os diretores artísticos? O Palmeira, da dupla Palmeira e Biá, você é muito jovem, você não se lembra. O outro diretor sertanejo era simplesmente o Teddy Vieira, o autor do “Menino da porteira”. Aí eu fiz o teste, disseram “como é o seu nome?”, e eu “Johnny Johnson”.“Isso não presta. Qual é o seu nome mesmo”, “Sérgio Bavini”. “Bavini também não é bom, tem que arrumar outro nome” e eu disse “Minha mãe é Reis, Clara Reis” e eles disseram “Reis é bom”. Aí o Palmeira falou “Ô Teddy, Sérgio Reis é bom, né?”. Ele começou a olhar pra mim e falar “Sérgio Reis, Sérgio Reis, Sérgio Reis é bom, é fácil falar, então você tá batizado”. Eu fui batizado por dois sertanejos como Sérgio Reis e meu primeiro disco foi numa gravadora sertaneja. Olha o destino.

Rosana Jatobá – É, tava escrito?

Sérgio Reis – O destino tava escrito, em 65 infelizmente o Teddy Vieira morreu em um acidente e eu continuei minha vida.

2º bloco

Rosana Jatobá – Hoje eu tenho a honra de conversar com o Sérgio Reis, um grande nome da música sertaneja que tem uma afinidade com as cobras, o que ele aprendeu durante o tempo que passou no Pantanal. Conta pra gente um pouco dessa vivência!

Sérgio Reis – Se você não souber lidar com isso, você tá morto! (risos). Ela te pega, antes de você perceber. Nessa vida sertaneja eu comecei a andar pelo Brasil fazendo shows no interior e fui me apaixonando cada dia mais com outra vida que a gente desconhece na zona rural. Todo mundo ama o campo e lógico que eu, andando por esse mundo todo, me apaixonei e eu tenho um amigo que é como um irmão, o Aryzinho, Ary Ferreira de Souza. Ele tinha umas fazendas no Pantanal. Um dia o Aryzinho chegou pra mim e falou “Sergião, vamos montar um hotel lá no Pantanal, eu tenho uma fazenda lá que tá parada na beira do Rio São Lourenço, é um lugar bonito, vamos pra lá”.Eu disse “Ary, eu não vou investir nisso”. E ele falou “Vamos lá, nós fazemos um hotel lá e fica nosso, é só pra gente se divertir”. E lá fomos lá e começou a brincadeira.

Rosana Jatobá – Daí o seu apelido de ter alma de pantaneiro?

Sérgio Reis – É, porque eu fiquei 18 anos indo e voltando, indo e voltando e era legal. Tivemos uma estrutura muito grande, eu já tive 15 aviões, caí três vezes de avião, aquelas loucuras, arranquei asa em árvore. Caímos dentro de um lago com uma mulher cega, é a Dra Ruth, era uma médica. Tínhamos dois amigos aqui na Vila Guilherme, tinha um folder assim“Conheça as emoções do Pantanal”.

Rosana Jatobá – Uma delas eram as cobras. Como é que você cercava as cobras?

Sérgio Reis – Eu levei uma sobrinha uma vez no Butantan pra aprender, ver como se lida com a cobra. A jaracuçu é muito rápida, perigosa; a cascavel te avisa quando vai picar, porque ela balança, você dá um passo pra trás e fica quieto, ela se acalma. Se acaso ela armar o bote e você estiver perto, você procura colocar a sola do sapato na cara dela, ela vai dar o bote na sua sola. Quando ela der o bote na sola, ela afasta, você dá um passo pra trás e ela já não alcança, porque o tamanho do bote da cascavel é o tamanho que ela tem.

Rosana Jatobá – E do Pantanal você guarda também a lembrança de ter atuado na novela“Pantanal”. Além de músico, você se tornou ator, não se contentou em ser um grande nome da música e se enveredou pela dramaturgia?

Sérgio Reis – Você sabe como tudo começou? “Sérgião, vamos fazer o Menino da Porteira”, aí eu fiz sucesso com o filme “Menino da Porteira”. Jeremias Moreira Filho dirigiu, Antônio Marcos era meu sócio, Muraci do Val jornalista e fizemos um sucesso com “Menino da Porteira”. Então vamos fazer agora “Mágoa de Boiadeiro”, aí eu falei “Vamos falar com Ruy Barbosa, autor de novela. Ruy, escreve o roteiro do filme pra nós”. Ele era amigo nosso de Santana, aí ele fez o roteiro e foi sucesso nos anos 77, 78. Aí quando foi em 81, 82, ele disse “Sergião, vou te levar pra Globo, você vai fazer uma novela das seis comigo chamada Paraíso”. Assusta né, o pessoal era maravilhoso, fiz amizade.

Rosana Jatobá – Você teve dificuldade pra atuar?

Sérgio Reis – Não, porque o texto era mais curtinho, seja você, não vai com aquela dos cursos de teatro que o nego já tem a expressão certa. Seja você, fala como você, leia o texto e fala.

Rosana Jatobá – Normalmente personagens que tenham a ver com o seu universo?

Sérgio Reis – Justamente, quando algum autor precisar de um personagem de um caipirão como eu, caboclão, eu vou.

Rosana Jatobá – Você fez com Almir Sater também uma outra novela?

Sérgio Reis – É, fiz primeiro “Paraíso”, depois quando Ruy Barbosa estava cansado de fazer novela, porque escrever novela não é fácil, então eu falei “Ruy, vamos lá para o hotel que eu tenho, vamos lá para o Pantanal comigo pra você descansar um pouco”. Aí eu peguei o avião, fui com ele para o Pantanal, quando ele pisou lá no Pouso da Garça, ele olhou aquilo e falou “Sergião, eu vou fazer a maior novela do mundo, eu vou tomar conta do mundo com essa novela”. Foi e escreveu o roteiro “Amor Pantoneiro”, que o Ruy Barbosa foi chamado pela Manchete e aí o Boni liberou.

Rosana Jatobá – E qual a música daquela época que foi mais marcante na sua carreira?

Sérgio Reis – Naquela época tinha uma que era engraçada, que o Zé Leôncio tinha a história que perdeu o pai, que era um velho do rio. Então toda hora que tinha roda de viola, aquela fogueira, pedia “Cavalo Preto” e a gente começava a rir. Essa música eu cantei umas trezentas vezes, era todo mundo dando risada que não aguentava.

Rosana Jatobá – Eu te assistia no “Rei do Gado”, Fagundes lá como protagonista e você fazendo dupla com Almir Sater. Como é que era o nome dessa dupla mesmo?

Sérgio Reis – Saracura e Pirilampo, era uma figuraça.

Rosana Jatobá – E vocês viviam o tempo inteiro na viola?

Sérgio Reis – Na viola sempre, é bom porque mesmo nas horas vagas o pessoal pedia pra cantar e era muito gostoso. Nós fizemos grande parte da novela na fazenda do Dr Roberto Marinho lá em Cocalinho, que é Goiás com Mato Grosso, onde até o Amado Batista tem as fazendas lá perto, uma fazenda lindíssima. Então “O Rei do Gado” foi uma coisa que eu aprendi muito.

Rosana Jatobá – Mas eu quero então pedir uma música, essa o Brasil inteiro conhece e é uma música que serviu pra elevar a autoestima da mulher brasileira, não importa a idade dela, ela sempre está bem.

3º bloco

Rosana Jatobá – Hoje eu entrevisto Sérgio, o grande nome da música sertaneja que enveredou também pelo teatro, fez novelas pelo Brasil e novelas de muito sucesso, e agora tá aqui com a gente relembrando esses grandes sucessos que encantaram todos nós. Sérgio, você tava falando que você já introduziu a tecnologia na sua vida, você gosta do facebook, faz twitter, instagram, como é que foi essa mudança, você que adaptou bem isso tudo ou não?

Sérgio Reis – Eu não sei nem ligar o computador, a Ângela me deu um Ipad.

Rosana Jatobá – Mas facilita a vida da gente?

Sérgio Reis – Não, por exemplo, eu tive um pré-câncer aqui no rosto, a Ângela teve um outro no dedo. Nós vamos aqui no Google e você acha tudo, pra isso é maravilhoso. Agora eu vejo a minha equipe, meus músicos, um monte de gente, esses dias mesmo eu tava conversando não sei com quem que disse “Cara, eu não consigo largar do computador, eu perco a minha vida por causa desse negócio e viciei. Isso é pior que cerveja, uma desgraça”.

Rosana Jatobá – Eu tava lendo um artigo dizendo que o computador aniquilou o diálogo, as pessoas se encontram e cada uma fica ali no seu próprio smartphone mandando mensagens.

Sérgio Reis – Quando a televisão apareceu já acabou com as amizades na família. É muito comum, já aconteceu comigo, eu ia visitar uma pessoa e ela ficar vendo futebol e não conversava comigo e via a novela e não conversava comigo. Eu fui embora e ela não percebeu.

Rosana Jatobá – Você é um cara família, você tem dois filhos e é casado com a Ângela que você citou várias vezes aqui. Como é que você conheceu a Ângela? Ela é tão bonita!

Sérgio Reis – A Ângela é vocalista, gravou com todos os artistas, ela fez 45 mil jingles, elas fez jingles de tantas marcas famosas aí é a voz dela. Ela gravou e ainda grava com todos esses artistas.

Rosana Jatobá – Como foi o momento do encantamento, quem cantou quem? Quero saber esse detalhe.

Sérgio Reis – Ninguém cantou ninguém. Ela trabalhou comigo durante 15 anos. Eu fui fazer um show e eu contratei a Ângela como vocal. E ela aceitou e ficamos 15 anos trabalhando juntos como amigos, meus filhos juntos.

Rosana Jatobá – Mas como foi o momento do encantamento?

Sérgio Reis – E seu eu te falar que não teve o encantamento, isso veio depois. A Ângela depois de 25 anos de casada resolveu se separar do Dr. Guilherme, nada tem a ver com o Sérgio Reis. Eu já estava fora de casa há 1 ano e 6 meses, a Ruth me pôs pra fora e a gente não sabia, ela tava com Alzheimer e eu fui embora. Fui morar sozinho na serra, depois disso daí a Ângela separou, um dia eu conversando com ela perguntei: “E aí, Ângela separou mesmo do Guilherme, ele foi embora?”. Eu conversando com ela falei“Você quer mesmo que ele vá embora? Separar é uma coisa muito difícil, Ângela, viver sozinho não é fácil”. Ela disse “Não amo mais” e eu disse “Você quer mesmo que ele vá embora? Eu dou um jeito”. E ela me perguntou o que eu ia fazer. Eu disse “Você vai lá pra São Paulo e diz pra ele que você vai casar comigo, que eu te pedi em casamento, aí ele tem que sair, porque eu vou lá te buscar”.

Rosana Jatobá – Eu olho vocês e imagino que nos momentos de alegria estão sempre juntos, mais de 15 anos, e nos momentos também de dificuldade. No ano passado você passou um susto, caiu do palco, como foi aquele momento? Algumas pessoas disseram que você teve uma súbita falta de consciência?

Sérgio Reis – Não, não tive. Tinha uma faixa falando da festa, era lá em Três Marias. É uma represa enorme e tem barcos de 100 pés lá, o vento batia do rio pra dentro e eu tava de costas e o vento bateu e empurrou essa faixa pra lá e eu não vi, era o meu limite ali. Mas tinha muita fumaça, muita luz no palco e eu canto “Não interessa se ela é coroa”, aí eu ponho o microfone pra turma cantar, eu viro pra baixo e coloquei o pé direito, não achei nada e fui lá pra baixo.

Rosana Jatobá – Dois metros?

Sérgio Reis – Tinha mais de dois metros.

Rosana Jatobá – E aí, Você quebrou duas costelas?

Sérgio Reis – Quebrei oito costelas, trinquei nove vértebras, perfurei pulmão, trinquei o ombro, luxei o joelho, foram 90 dias.

Rosana Jatobá – Noventa dias no hospital?

Sérgio Reis – Quinze dias lá em Belo Horizonte, mais 25 dias no Einstein, depois tive que perfurar pulmão, fazer dreno, essas coisas toda. E depois em casa dormindo 45 dias no sofá porque eu não conseguia esticar.

Rosana Jatobá – E você tirou proveito desse tempo que você passou no hospital?

Sérgio Reis – Nunca vi tanto filme de sacanagem na madrugada que eu não conseguia dormir (risos).

Rosana Jatobá – Eu li uma coisa que eu fiquei impressionada já que você entrou aí nessa seara. Que história é essa da mulher que entrou no seu quarto e se deitou em cima de você?

Sérgio Reis – Entrou, foi em Piuí, uma moça muito bonita assim seu estilo, bonita como você, morena linda, lembrava bem a Lúcia Veríssimo. Eu tava deitando à tarde num hotel muito simples até, de repente um diabo de uma mulher daquela sem roupa se jogou em cima de mim. Eu me assustei e eu vi que ela não estava bem, aí eu peguei, a cobri, chamei a portaria, chamei o Tenório, o meu motorista. Aí nós tacamos ela embaixo do chuveiro.

Rosana Jatobá – Não tá bem como, sinais de embriaguez?

Sérgio Reis – Ela tava drogada, ela tava dopada. Aí descobriram que os amigos no barzinho, ela era minha fã, foi lá pra ver o show. Jogaram Perventin no copo dela, ela bebeu e ficou doida e foi para o meu quarto. Eu pedi que o pessoal viesse falar comigo, aí veio o tio dela, aí chamaram o delegado e pegaram dois caras que puseram isso nela. Depois eu fui fazer um show em Betim e ela veio com um rapaz bonitão como ela e falou “Sérgio Reis olha bem pra mim” e eu falei “Eu conheço você”, e ela disse “Eu sou aquela moça de Piuí, quero lhe agradecer o respeito que teve por mim”. Aí eu já que sou muito brincalhão disse “Vem cá, parabéns, você escolheu bem, ela é muito bonita, eu vi ela nua antes de você”. Falei “Não, brincadeira, parabéns”.

Rosana Jatobá – Num show como esse aí, qual música que fazia muito sucesso que o pessoal pedia sempre?

Sérgio Reis – Naquela época eu tava com “Saudade da minha terra”.

4º bloco

Rosana Jatobá – Muitas revelações aqui no estúdio, eu tô realmente surpresa com o Sérgio Reis contando as histórias aqui de amor com a Ângela. Ele tem essa voz mansa, esse jeito suave, mas quando tem que falar firme, bravo, ele sabe ser. Não é?

Sérgio Reis – Eu sou bravo, eu sou italiano.

Rosana Jatobá – Mas você é muito bom estrategista, a história da conquista da Ângela provou isso daí. Parabéns!

Sérgio Reis – Obrigada.

Rosana Jatobá – Como foi a história dessa música “Pinga ni mim”, é engraçada essa música, né?

Sérgio Reis – É engraçada, sem contar que eu não queria gravar essa música. Quem gravou primeiro foi Teodoro e Sampaio, não acabava, era uma missa sem padre. Aí um dia o Tony Campello, que era meu produtor falou “Tira o tom dessa música”, e eu disse “Eu não vou gravar” e ele perguntou “Como não vai gravar?”. E ele disse “Eu não queria que você gravasse o Filho Adotivo e eu aturei, quebrei a cara, a música fez sucesso, por mim você não gravava. Agora você tem que gravar o que eu quero”. Não fui no estúdio com orquestra, aí eu quebrei a cara, né.

Rosana Jatobá – Foi um sucesso estrondoso.

Sérgio Reis – Foi assim que aconteceu o sucesso do “Pinga ni mim”.

Rosana Jatobá – Agora você toca em todos os shows?

Sérgio Reis – Todos e acaba o show com essa música.

Rosana Jatobá – Esse tempo todo, 54 anos de estrada, se você pudesse resumir o sentimento que você carrega.

Sérgio Reis – A coisa mais maravilhosa do mundo, eu agradeço a Deus todo dia a voz que ele me deu, a forma de ser como ser humano, de me ensinar a pensar nos outros, às vezes mais nos outros do que em mim.

Rosana Jatobá – Fala um pouquinho do novo CD.

Sérgio Reis – Tem uma música que eu gravei com o Moacyr Franco “Questão de tempo”. Ele canta comigo nesse disco. Essa música é linda, o Moacyr é um compositor de mão cheia. E tem uma outra “Casei porque bebi”, o cara bebe e casa.

Rosana Jatobá – Que coisa, você saiu do “Panela velha”pra esse daí?

Sérgio Reis – E agora é o seguinte, eu e a Ângela a gente olha um casal e ela diz “Aquele cara ali tem que beber muito, porque a mulher é feia demais” (risos).Essa música é boa. Então ele bebia pra esquecer, entendeu?

Rosana Jatobá – O que é que te encanta em uma mulher?

Sérgio Reis – A sinceridade, a honestidade e o sorriso, mulher que não ri é chata pra burro. Aliás tem uma pesquisa de um grande psiquiatra que ele falou pra mim o seguinte “O Alzheimer é uma doença que atinge 48%, 59% das pessoas chatas, bravas que não ri”.

Rosana Jatobá – O seu segredo da vida é ser bem humorado?

Sérgio Reis – Bem humorado, quem ri vive 140 anos, eu vou enterrar uns 40 da Jovem Guarda. Aqueles que não riem da Jovem Guarda, vão morrer bem antes que eu.

Rosana Jatobá – Tem um ditado que diz “O segredo do casamento é bom humor”.

Sérgio Reis – Bom humor.

Rosana Jatobá – Na falta dele…

Sérgio Reis – Sexo? (risos)

Rosana Jatobá – Na falta dele…champanhe (risos).

Sérgio Reis – Sexo com champanhe? (risos)

Rosana Jatobá – Olha, o “Conversa com a Jatobá” está chegando ao fim. Um prazer receber você aqui, Sérgio Reis. Aprendi muito, tô muito honrada de você ter aceitado o convite, a Ângela que também veio nos prestigiar, que é a mulher dele, que o acompanha na carreira, parabéns! Muito sucesso, isso nem precisa desejar, né! Uma carreira brilhante ao longo desses 54 anos.

Sérgio Reis – Eu vou sair da sua vida agora Jatobá, mas eu prometo que um dia eu volto pra gente bater mais papo e rir um pouquinho mais. Muito honrado pelo convite, você é uma jornalista fantástica, uma pessoa que a gente admira de tantos anos e estamos aqui trocando gentilezas, amizade e o nosso profissionalismo. Tudo em prol de quem? De você ouvinte da Rádio Globo, que sabe que aqui nós só temos coisas de primeira.

Se preferir, ouça aqui.

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