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Conversa com a Jatobá recebe Katinguelê

por Universo Jatoba

1º bloco

Rosana Jatobá – Boa tarde, está começando mais um “Conversa com a Jatobá”, um programa que fala de engajamento ambiental e social. Tudo que você queria saber sobre o seu ídolo, todos os projetos do bem que ajudam a preservar a natureza e também ajudam as pessoas que estão necessitadas, projetos sociais do bem. Hoje eu tenho a honra de receber aqui no estúdio uma das maiores bandas de pagode do Brasil Katinguelê. Gostaria de dar as boas vindas aos meninos, muito obrigada pela presença de vocês! Olha, essa formação que tá aqui comigo é praticamente a mesma do início da banda que já tem 28 anos. Eu tô aqui com o Nino, o Breno, o Diguinho, O Téo e o Mário. Mas tá faltando alguém, né, Diguinho. Quem não veio?

Diguinho – O Udi não pode vir hoje.

Rosana Jatobá – Por que ele não veio me ver?

Diguinho – Foi no escritório hoje (risos). O Udi é aquele famoso técnico, atacante, goleiro, ele tá no escritório.

Rosana Jatobá – Alguém tem que trabalhar, né.

Diguinho – Tem uma reunião séria no escritório e ele tá lá.

Rosana Jatobá – Um beijo pra você Udi que não veio, mas tá muito bem representada a banda, todo mundo aqui. Ao longo de 28 anos praticamente a mesma formação, com exceção do Diguinho que substituiu o Salgadinho.  Agora eu vou logo tocando nesse ponto que é o ponto que todo mundo quer saber, a saída do Salgadinho e a entrada do Diguinho representou para a banda algum tipo de abalo no mercado ou com relação às fãs?

Breno – A vinda do Diguinho na verdade somou muito, é um rapaz que veio e caiu como uma luva, a aceitação foi de imediato e desde então a gente só tem tido momentos felizes aqui.

Rosana Jatobá – Uau, que declaração, hein, Diguinho.

Diguinho – Graças a Deus.

Rosana Jatobá – Como é que foi lidar com essa recepção assim tão calorosa?

Diguinho – Olha, pra lidar com a ideia foi muito difícil no começo porque você passa de um papel de fã do Katinguelê, um grupo que pra mim é um dos melhores do Brasil, eu cresci ouvindo Katinguelê, aprendi a querer cantar ouvindo Katinguelê. O Katinguelê teve um papel muito importante, fundamental pra juventude da minha época, a juventude negra na realidade. Nós nos víamos meio fora do mercado televisivo, das rádios e o Katinguelê mostrou para aquela negritude daquela época que estava crescendo com seus 14, 15 anos, que ser negro é legal, é bonito. De repente via o Katinguelê estourado, fazendo sucesso e isso moveu uma geração de fãs que hoje são pessoas que tem seus 30, 40 anos e na época que eles usavam os óculos na cabeça, eu usava e todos meus amigos da escola usavam.

Rosana Jatobá – Era uma referência na sua vida?

Diguinho – Exatamente e partindo desse princípio pra você se ver como um integrante desse grupo de tal peso pra música foi um momento de transição muito grande na minha vida. E graças a Deus deu tudo certo como o Breno disse, esse peso da camisa no começo vem.

Rosana Jatobá – O medo da cobrança, das pessoas compararem você com o Salgadinho, que também era um grande músico, fez muito sucesso…

Diguinho – Lógico e aí a gente tem esse receio na realidade, não do meu trabalho, porque eu me conheço, mas como os fãs do Katinguelê iam me receber. E graças a Deus só tenho a agradecer aos meios televisivos, às rádios de todo o Brasil, principalmente a Rádio Globo, nós fizemos um acústico aqui logo quando eu entrei no grupo há 4 anos atrás e a recepção foi maravilhosa, coisas foram acontecendo e que nós não tivemos o controle. Coisas boas, notícias boas, por exemplo, o Katinguelê fazia 12 anos que não ia na Rede Globo, gravamos o “Esquenta”, cantamos muitas músicas.

Rosana Jatobá – Ali é um espaço maravilhoso de revelação e também dos músicos, dos artistas que já estão na estrada há muito tempo, né?

Diguinho – Verdade, Rosana. Então aconteceram coisas conosco que a gente não esperava e a gente ainda tá meio boquiaberto com isso.

Rosana Jatobá – Agora meninos, fora o Diguinho , vocês estão juntos há 28 anos, isso é um casamento. Qual é o segredo pra vocês manterem o bom humor, a parceria?

Breno – Bom, acho que principalmente o respeito, uma coisa que a gente tem muito, a amizade também é uma coisa que conta bastante.

Diguinho – E o creme, vocês que estão aí no rádio vocês não estão sentindo o cheiro do creme da Rosana.

Rosana Jatobá – Eu cheguei no estúdio usando meu creme de baunilha, que eu gosto de passar na pele, que é super natural. O Diguinho reconheceu o creme e aí propôs aqui que se alguém da banda tivesse o mesmo cheiro, ele se casaria. (Risos)

Rosana Jatobá – Você é casado, tem um relacionamento? Antes que eu cometa alguma gafe ou dê um fora!

Diguinho – No momento eu tô sozinho.

Rosana Jatobá – Meninas, o segredo pra conquistar o coração do Diguinho é creme de baunilha (risos).

Diguinho – Usou baunilha, montou no salto, acabou comigo.

Rosana Jatobá – Mas Mário você então que tá na banda desde o início, é isso mesmo, parceria, companheirismo, compreender quando a pessoa tá com a pá virada. Qual é o segredo pra estar junto tanto tempo?

Mário – É tudo isso e paciência também, o Breno fala a parte bonitinha, mas tem que ter paciência pra aguentar o Breno, o Ninão que tá quietinho, mas que gosta de falar bastante quando tem as reuniões também, o Udi.

Breno – É um reality show real mesmo, porque é o que você falou, o casamento às vezes não dura cinco anos e você tá há 28 anos e só homens. Homem tem aquela coisa do reino animal ainda, de ser leão, todo mundo quer falar e ninguém quer ouvir. Às vezes um conflito aqui ou outro ali, mas a gente tenta acertar logo.

Rosana Jatobá – E quem é o conciliador na hora do conflito, da disputa, quem chega pra apagar o fogo?

Breno – Ah, o Mário.

Diguinho – O Mário é o bom vivant.

Mário – Eu acho que é assim, Rosana. Eu tenho um conflito com o Diguinho, mas aí a gente já resolve na hora, então isso fica legal. Por isso que estamos 28 anos juntos.

Diguinho – Tem que resolver na hora, pedir desculpa. Às vezes eu tenho um problema com o Nino ou com o Mário, peço desculpa. O fã tem aquela imagem que a nossa vida é perfeita. O fã quer aquele momento pra tá perto de ti e às vezes num momento desse a gente vai querer conversar com um que já não tá muito afim de assunto, aí dá briga (risos).

Rosana Jatobá – Muito bem, vocês começaram o nosso programa com a “Lua vai”, toca mais um pouquinho pra eu ouvir porque essa música é uma delícia, inclusive eu já sambei muito ao som de a “Lua vai”. O nome dessa música na verdade não é “Lua vai”, que história é essa, por que vocês mudaram o nome?

Nino – O público nomeou de “Lua vai”, né, mas é “Recado à minha amada”.

Rosana Jatobá – “Recado à minha amada”. Mas realmente a primeira coisa que vem à cabeça quando você ouve é “Lua vai”.

Diguinho – “Inaraí” também não é “Inara” é “Rosana” o nome da música. (risos)

Rosana Jatobá – Rosana?

Diguinho – É brincadeira (risos).

Rosana Jatobá – Tô profundamente emocionada com essa homenagem, muito obrigada, Katinguelê. (risos) Olha gente, agora tem um outro ponto e de afinidade com a minha vida que é o próprio nome Katinguelê que significa… quero que vocês digam pra mim!

Diguinho – Criança que se inicia na capoeira . Quando ele entra pra jogar capoeira esse é o nome que é dado pra ele.

Rosana Jatobá – Eu sou soteropolitana, eu sou baiana, então pra mim a imagem do capoeirista tá na minha mente, um símbolo máximo da Bahia.

Diguinho – Terra maravilhosa, Bahia. Quero mandar um beijo pra todos baianos e baianas.

Rosana Jatobá – Por que a escolha do nome Katinguelê?

Breno – Na verdade éramos um grupo de amigos que estava sempre nas festas, aniversário, casamento e houve um momento que a gente tinha que pôr um nome. Aí houve um sorteio de alguns nomes e esse nome foi tirado de uma música do grupo Fundo de Quintal que é o “Sambas de roda da Bahia”.

Rosana Jatobá – Daqui a pouco a gente volta no próximo bloco, eu quero conversar com vocês sobre preservação do meio ambiente e projetos sociais. Quero saber que tipo de projetos vocês apoiam, se isso está na música de vocês ou se é apenas a questão romântica do amor idealizado. Daqui a pouco no Conversa com a Jatobá.

2º bloco

Rosana Jatobá – Estamos de volta com o Conversa com a Jatobá, e o prazer de receber aqui os meninos do Katinguelê que acabaram de executar a música “No Compasso do Criador”, que é uma música que fala do amor entre um homem e uma mulher.

Diguinho – Exatamente, então é aquela coisa de você lutar com o amor da sua vida e vencer o mundo. “Meu amor te chamo na minha canção” é isso aí. “A gente chega nas estrelas, só não chega se acabar a nossa fé”. É um casal normal, urbano, lutando com a vida e ele simplesmente fala pra mulher dele “Dá sua mão aqui que tá tudo certo, o resto a gente resolve depois”.

Rosana Jatobá – Maravilha. Vocês ao longo desses 28 anos só cantaram o amor romântico ou existe alguma composição de sucesso que trata de outro tema?

Diguinho – Tem uma questão social que o Katinguelê abordou, em que disco, Breno?

Breno – “Meu recado”.

Diguinho – “Meu recado”, que é uma música que em qualquer lugar que a gente vai,  é a música mais pedida e é uma música que fala de um rapaz que tá preso no extinto Carandiru e ele vê a vida passando, o metrô, as pessoas indo trabalhar, as pessoas vivendo e ele de repente fala “Tô com saudade daquele doce de côco”. Você sente saudades de coisas simples, eu acho que quando você tá numa situação dessa, então muita gente que passou por essa situação e outras pessoas que têm conhecimento do repertório do Katinguelê se identifica muito com essa canção. Inclusive tem um amigo nosso que ficou muito tempo preso, o Dexter, é um rapper e ele inclusive fazia sucesso de dentro da cadeia, ele gravava. E nós pudemos agora contemplar essa liberdade dele, faz dois anos que ele está solto, fazendo muito sucesso, vou mandar um abraço para o Dexter, o Ângelo, pra toda essa galera. E nós pudemos participar com essa música que ele disse que chorava ouvindo quando ele tava preso.

Rosana Jatobá – Parabéns! A letra é linda, a voz é maravilhosa, você tava se desperdiçando no Japão.  O Diguinho trabalhou lá no Japão durante sete anos numa multinacional e aí largou tudo pra se dedicar totalmente à música.

Diguinho – Na realidade eu larguei tudo pra ir pra lá, aí tive que largar tudo de novo pra voltar porque acho que quando você abandona os seus sonhos por causa de outros fatores, eu abandonei os meus por causa de dinheiro, a idade tava chegando e eu via que a oportunidade não vinha. Aí eu larguei a música pra trabalhar com outra coisa e cheguei no Japão pra trabalhar como dekassegui, como operário de fábrica mesmo. Quando eu saí do Japão depois de seis anos, eu era chefe da mesma empresa. Eu tinha tudo que eu podia comprar lá no Japão, mas eu não tinha nada. Quando eu voltei, eu disse eu vou vender tudo, eu vou dar tudo a troco de fazer o que eu realmente amo fazer. Então é uma dica que eu dou pra quem tá ouvindo a gente aí: não largue dos seus sonhos a troco de dinheiro nenhum, porque é só um engano. Você vai perder tempo, vai sair do trilho e lá na frente você vai ver que você fez uma burrada.

Rosana Jatobá – Tem que ir atrás do que você acredita, é isso que torna o seu sonho realidade, não ficar esperando, é fazer acontecer.

Diguinho – É verdade. E aí hoje eu vivo o que eu acho que Deus planejou pra mim.

Rosana Jatobá – E vive muito bem, você tá de parabéns. Não só você, mas todos os meninos do Katinguelê. Vocês fizeram fama, espero que tenham feito fortuna também (risos).

Diguinho – Claro, claro. Acho que agora com a idade a galera tem uma cabeça mais legal pra poder saber investir.

Rosana Jatobá – E como é que ficaram  as comunidades, as pessoas, projetos, vocês apoiam de alguma maneira as comunidades originais? Como é que vocês lidam com o passado?

Diguinho – Tem um time que nós somos padrinhos que é o Água Santa de Diadema, a gente sempre procura ir lá nos jogos, participar. E tem um time que nós somos padrinhos mesmo de vestir a camisa e ir pra TV pedir pra galera fazer doações e a gente participa de leilões, inclusive queria agradecer a todos do Cruzeiro Futebol Clube que doou uma camiseta pra gente leiloar, o Hulk da seleção, Hulk muito obrigado, a chuteira o Neto doou. É um time do Corinthians, é uma equipe de paradesportos, são crianças e adultos com problemas mentais, retardamentos mentais, então tem desde síndrome de down até paralisia motora mesmo e a gente procura tá junto. São 150 jogadores e inclusive tem um fato muito interessante de se falar que tem um menino que chegou pra essa equipe, ele nem andava, ele não se locomovia direito e ele é o goleiro. E hoje ele é da seleção brasileira, ele é o melhor goleiro da América Latina, ele joga e é uma alegria a gente poder ajudar, poder contar com nossos amigos do meio artístico. Não pelo fato de ser o Corinthians, o fato é de ter essa iniciativa porque na realidade essas crianças muitas vezes não tinham dinheiro nem pra ir ao Sport Clube Corinthians pra poder jogar.  Então a gente tentou ajudar da melhor forma possível e vamos continuar levando esse projeto pra frente. Se tiver outros clubes também, nós vamos assumir essa responsabilidade porque eu acho que ajudar o próximo é melhor do que ajudar a si mesmo.

Rosana Jatobá – O artista por ser formador de opinião e influenciar tantas pessoas, quando ele abraça um projeto como esse, ele realmente consegue dar o exemplo para o fã e aí ajudar o fã a se motivar e ter essa atitude de solidariedade?

Diguinho – É a questão da solidariedade, de você ter uma visibilidade, tem muita gente que se espelha na vida do artista, então vai querer fazer o bem, mas eu acho que é um bem maior pra gente mesmo. De repente você pega um show de 20 mil pessoas, pessoas sadias, que estão em pé, namorando, que de lá vão jantar. E de repente você se sente parte da vida das pessoas e aí você vê alguém debilitado, que precisa realmente da sua ajuda, é muito gratificante você sair pra trabalhar sabendo que as crianças às vezes nem dormem quando a gente vai lá, né, Breno?

Breno – É uma alegria imensa.

Diguinho – É uma alegria maior que qualquer outra coisa, você vê a pureza dessas pessoas que têm essa condição de vida que a gente não sabe realmente porque se nasce assim.

Rosana Jatobá – Tem que fazer a sua parte, contribuir de alguma maneira pra melhorar a vida das pessoas?

Diguinho – É verdade, porque a gente é sadio, a gente tem saúde e reclama de tanta coisa, né. Então pra gente é bom, a gente sai de lá renovado, a gente fala “Essas pessoas têm tanta esperança, têm tanta fé” e a gente precisa disso na realidade pra reabastecer o combustível nosso mesmo.

Rosana Jatobá – Muito bem. E alguma ação  relacionada à meio ambiente? Vocês têm conexão com a natureza?  fazem a reciclagem do lixo, tem aquela questão do desperdício de comida, economia de energia, economia de água. Como é que vocês lidam com essas questões da sustentabilidade dentro de casa?

Diguinho – Nossa, eu aprendi muito disso no Japão. Eu cheguei lá e aqui no Brasil a gente joga o lixo no mesmo lugar, lá não, dentro de casa tem o lixo separado, no toilette também, o papel quando entra em contato com a água ele dissolve, lá não tem lixo no banheiro, eles jogam na água. Aqui no Brasil a coisa tá engatinhando ainda, mas a gente procura sim estar ajudando da maneira que a gente pode que é não jogando lixo na rua. O Téo aqui é o vigilante sanitário (risos).

Téo – Eu puxo a orelha dos caras.

Rosana Jatobá – Muito bem, porque jogar lixo na rua é uma coisa tão primária, né, não se justifica.

Téo – Tinha um rapaz na banda que ele acabava de comer e colocava no saquinho, quando ele ia abrir a janela eu dizia “Não, não, não pode”. E eu até peguei isso com os meus filhos mesmo porque a escola tá fazendo esse papel bacana, né.

Rosana Jatobá – As crianças é que estão repreendendo os pais.

Téo – Isso, fala “Não pai, não é assim não, isso aqui é aqui”, bem bacana.

Nino – Até um papel de bala, você acha pequenininho, abriu e já joga. O Téo contagiou a gente. Hoje o carro fica daquele jeito, mas depois limpo tudo e jogo tudo dentro do carro.

Rosana Jatobá – Daqui a pouco querer saber mais sobre essas atitudes sustentáveis do grupo Katinguelê. Tem muita coisa ainda pra gente explorar, daqui a pouco a gente volta com o Conversa com a Jatobá e eu quero uma palhinha de uma música do novo CD.

3º bloco

Rosana Jatobá – “Inaraí” fez um sucesso incrível, estamos de volta com o Conversa com a Jatobá, hoje eu recebo aqui o Katinguelê, esses meninos simpáticos, espirituosos, bem humorados, cheios de histórias interessantes. Vocês estão contando umas coisas engraçadas aqui fora do ar e vocês vão repetir para os nossos ouvintes que merecem ouvir essas histórias todas. No Japão, por exemplo, o Diguinho fez muito sucesso com as japonesas….

Diguinho – Isso você que tá falando (risos). É que a japonesa genuína do Japão elas gostam muito de homens negros, eu tinha muito amigo nigeriano, americano e eles fazem muito sucesso lá e criavam até um certo ciúme entre os japoneses. E é muito bonito ver essa miscigenação de filho de negro com japonês, sai um povo bonito. E o Breno foi para o Japão também.

Rosana Jatobá – O Breno fez sucesso no Japão?

Breno – Eu fiz um sucessinho (risos), porque eu fui loiro, negrão, cavanhaque loiro, chegamos lá e o pessoal “Nossa”, achava que era algum jogador, alguma coisa.

Diguinho – Mas acontece muito isso, porque o japonês todo mundo tem a mesma raça, mas recebe o mundo inteiro. Então quando chega alguém diferente assim negro, eles têm uma referência de Denzel Washington, Beyonce, então negro pra eles é tudo artista. Teve uma vez que eu fui pra Disney do Japão e parei meu carro, no que eu parei o carro eu tava com uma camiseta do New York Yankees. Aí parou um monte de japonês do lado e falou “É ele”, veio um nome de japonês bater foto. Cirque du Soleil também, eu vou no Cirque du Soleil, aí cheguei na frente, tô batendo uma foto lá, de repente desceu uma excursão, eu tenho até essa foto pra não mentir no meu facebook. Desceu uma excursão de japoneses, começou todo mundo me abraçar e ficar “Você é não sei quem?”, e eu disse “Sou eu mesmo” (risos).

Rosana Jatobá – E nesses seis anos você aprendeu a língua, você aprendeu a falar japonês?

Diguinho – Tive que estudar porque eu trabalhei com japoneses, então era o único brasileiro no meio de monte de japoneses. Eu fui estudar.

Rosana Jatobá – Parabéns, essa experiência fora do Brasil, rendeu muitas coisas positivas pra você, inclusive a língua, que é tão difícil de aprender.

Diguinho – É difícil. É legal quando você vai aprender uma língua que você enxerga o que você vai falar. Eu, por exemplo, cansei de comprar mel achando que era azeite (risos). Uma vez eu tava numa bomboniere e tava afim de comer chocolate e fui. Eu não gosto de chocolate, mas eu tinha aquele meu horário de almoço, eu trabalhava na Toyota nessa época e eu tinha meia hora pra comprar aquele tal do chocolate e depois ficar o dia inteiro sem sair. Aí fui lá, comprei, cheguei, na hora do lanche pra comer eu comprei doce de feijão. E também tem lá um prato que é meio estranho que eu não me acostumei que chama natu, que é um feijão podre já, ele já tá em decomposição e a galera gosta.

Rosana Jatobá – Mas outras coisas da culinária japonesa, você aprendeu, por exemplo, sushi, sashimi. Você cozinha para os meninos?

Diguinho – Sushi, sashimi, temaki, eu faço tudo. Eu fiz rabada esses dias num programa de televisão que a gente gravou. Eu sou bom cozinheiro, eu fui criado pela minha avó.

Rosana Jatobá – Meninas, olha isso, além de tudo ainda cozinha bem, hein!

Diguinho – Sou prendado.

Rosana Jatobá – Eu queria que vocês comentassem um pouco do novo trabalho, eu tô aqui com o novo CD “Katinguelê – Princípios”, são 19 composições inéditas, dessas tem três que são bônus. Conta pra gente um pouquinho desse novo trabalho.

Diguinho – Esse novo trabalho a gente trouxe o nome de “Princípios” porque é uma música que fala sobre o preconceito,, então a gente quis abordar sutilmente esse assunto no nosso trabalho novo. É um rapaz que se apaixona por uma menina mais jovem e a família dela é contra, enfim então ele fala “O amor não tem limite de idade, não tem essa besteira”. Então a gente trouxe essa música e colocou como título do álbum pra dar uma cutucada de leve nessa questão de preconceito racial ou sobre credos, sexo, é uma música muito bonita que tem uma mensagem bonita. E é o segundo disco meu com o Katinguelê, o primeiro foi “Por Amor” e esse disco tem essa coisa especial de estar antecedendo o nosso DVD ao vivo. Então ele é aquele esquenta para o DVD. Então a gente tá contente, é a terceira música já de trabalho desse disco.

Rosana Jatobá – Interessante vocês abordarem essa temática do preconceito. Vocês que são famosos, que são adorados pelo público, já tiveram em algum momento da carreira situações delicadas em que se sentiram excluídos, entristecidos com uma situação constrangedora, difícil?

Diguinho – A nível de preconceito?

Rosana Jatobá – Sim.

Diguinho – Eu acho que no começo da carreira do Katinguelê, aconteceu com todo mundo, com o Fundo de Quintal, com a galera que são os precursores do samba, de você chegar de repente num estado que as pessoas falam “Nossa, a música de vocês é tão legal, não sabia que vocês eram negros”. Mas a gente nem lida com essa maldade, a gente não tenta devolver isso com coisa ruim. De repente a pessoa tem o esteriótipo de ouvir a música. Ou tem gente que me fala “Caramba Diguinho, fico te ouvindo achava que você era mais alto, ou era mais baixo”, eu acho que é mais por esse lado.

Breno – Houve uma vez também que nós chegamos num shopping num lugar que a gente foi tocar, aí estamos no hotel, vamos passear um pouco, chegamos no shopping e na hora que a gente entrou os seguranças começaram a seguir a gente (risos).

Rosana Jatobá – Mas será que ele não era um fã do Katinguelê e queria um autógrafo?

Breno – Não, naquela época ainda não (risos).

Diguinho – O importante disso tudo é você virar a mesa com as suas próprias forças internas. Teve essa situação do segurança e já teve situação de fecharem o shopping porque tinha superlotação de gente. Então a pessoa tem que saber levar para um lado bom. Hoje em dia essa coisa tá muito mais a nível de situação socioeconômica do que de raça e credos, então eu acho que a galera gosta “O cara tem dinheiro, é legal”, isso aí a gente tenta dissolver ao máximo, eu acho que não é por aí.

Rosana Jatobá – Falando da questão ambiental que vocês já introduziram aqui, então vocês realmente procuram ser conscientes com relação à separação do lixo, não jogam lixo na rua. Agora algumas cidades do Brasil já estão multando quem joga lixo na rua o que é maravilhoso pra criar realmente a consciência, pra evitar entupimento dos bueiros, enchentes, contaminação do solo, uma série de problemas. Mas em casa, por exemplo, com a questão de economia de água e energia, vocês demoram muito no banho, por exemplo? O banho recomendado é de 10 minutos no máximo.

Diguinho – Nossa, vai lavar o que? (risos) Tô brincando. Eu vou fazer uma pergunta pra você, você consegue lavar o seu cabelo em 10 minutos? Mentira! (risos)

Rosana Jatobá – É por isso que eu não lavo todo dia. Mas realmente a mulher precisa, ela tem  um ritual de higiene e beleza que é diferente do dos homens. Mas em 10 minutos, no máximo 15, eu acho que dá pra você tomar um belo banho. O problema é que as pessoas deixam a torneira aberta e a água se esvai ali por horas..

Breno – Mas lá em casa quando meus filhos vão tomar banho eu falo “Cinco” e eles falam “Ô pai, ô pai” aí eu deixo passar um pouquinho dos cinco.

Rosana Jatobá – Quantos filhos você tem?

Breno – Eu tenho quatro.

Rosana Jatobá – Então tá bom cinco minutos pra cada um, 20 minutos de banho por dia, tá bom.

Breno – Dois são grandes e dois são pequenos, então a gente dá uma equilibrada ali.

Rosana Jatobá – E deixar, por exemplo, cômodo aceso quando você tá fora. Saiu do quarto e deixa a luz acesa lá?

Breno – Não, saiu tem que apagar.

Diguinho – El Ditador (risos).

Rosana Jatobá – E a questão do desperdício de comida? Porque o brasileiro desperdiça até 50% do alimento que compra, desde o momento em que traz do supermercado, deixa na despensa e até mesmo quando sobra comida ali no almoço de domingo ou no dia a dia. Vocês tem essa preocupação?

Breno – Temos, na verdade eu já fui criado assim. Desperdício tem que ser praticamente zero.

Diguinho – Eu tinha um amigo que eu fui almoçar na casa dele e foi a pior decepção que eu tive porque a família dele faz a comida, o que se come ali comeu, o que sobra na panela eles jogam fora. Aí a mãe dele tava falando achando bonito dizendo que no Natal eles têm que fazer alguma coisa com a comida e eles jogam pernil, chester, tudo fora. Comeu , joga fora.

Rosana Jatobá – A mentalidade da fartura, né, e as pessoas querem esbanjar.

Diguinho – Tem tanta gente passando fome, eu acho que essa questão do alimento é muito sagrada. Na minha casa eu sou assim, eu ponho no prato e eu vou comer até acabar com aquilo, se eu não acabar eu ponho na geladeira e depois eu como. Eu não consigo jogar comida fora.

Breno – Quem come mais aqui?  O Téo.

Diguinho – O Téo tá num regime agora, ele entrou na academia, nutricionista. Ele tá estressado, nervoso, batendo o pé, nada de álcool ele não bebe.

Breno – E aquele pastelzinho ontem?

Diguinho – Ele teve a moral de pedir “Eu quero um drinque sem álcool e sem açúcar, por favor”. Eu achei demais, aí daqui um mês ele tá comendo um caminhão.

Rosana Jatobá – Olha, vamos falar no próximo bloco sobre os hábitos alimentares e atividade física e os rituais de higiene, de beleza, porque vocês são muito charmosos.

Diguinho – Eu vou comprar um creme de baunilha (risos).

Rosana Jatobá – Mas agora a gente vai com que música do novo CD?

Diguinho – “Por amor”.

4º bloco

Rosana Jatobá – “Engraçadinha “, essa música fez muito sucesso, eu me lembro, eu era pequenininha e me lembro (risos). Tem quanto tempo essa música?

Breno – Essa música tem uns 15 anos.

Rosana Jatobá – Falar da idade pra vocês é um tabu, um preconceito ou vocês lidam bem com o envelhecer?

Diguinho – Não, é proibido mesmo (risos). Não é tabu, não é preconceito, é só proibido (risos).

Rosana Jatobá – Mas você é jovem, que idade você tem?

Diguinho – Eu tenho, quantos anos você me dá?

Rosana Jatobá – Eu dou uns 28.

Diguinho – Que pena, você errou. É proibido falar mesmo.

Rosana Jatobá – Mas sério, vocês têm esse tipo de restrição ou não?

Mário – Restrição não, mas a gente não costuma tocar no assunto.

Rosana Jatobá – Mas vocês podem falar porque como eu já disse aqui, vocês estão ótimos, em boa forma, todo mundo magrinho.

Diguinho – Menos o Breno (risos).

Breno – Isso foi pessoal.

Diguinho – Não, não, o Breno também. Eu acho o Breno bonito, eu acho o Breno um negão bonitão.

Rosana Jatobá – Charmosão.

Diguinho – Se o Breno emagrecer, ele é bonito do jeito que ele é. O rosto dele é bonito.

Rosana Jatobá – Você faz algum tipo de atividade física?

Breno – De vez em quando, sabe como é.

Rosana Jatobá – Uma caminhada.

Breno – Joga bola com os filhos, brinca tal, mas na verdade a atividade física nossa é o show. A gente dança, pula.

Diguinho – Dança.

Rosana Jatobá – Quase três horas ali na pauleira. Mas os outros meninos eu tô vendo que tá todo mundo super em forma. Vocês tem um ritual, um programa diário de atividade física mesmo nessa correria de shows ou não, só faz quando dá?

Diguinho – Eu tenho, eu faço boxe há 10 anos.

Rosana Jatobá – Que legal.

Diguinho – Malho, o Téo também malha, o Mário é o boleiro, Lino Brown também.

Rosana Jatobá – E a questão estética, isso preocupa vocês ? querem estar atraentes?

Diguinho – Às vezes esse negócio de facebook, twitter, acaba com a gente (risos). De repente você vai no churrasco, depois do churrasco tem o show, aí acaba, é muito chato. Aí você tá voltando, no caminho pra casa abre lá tá a sua foto, com uma barriga que não dá certo. Então a gente tem que se preocupar hoje ao máximo, todo lugar tem um celular, tem câmera, o pessoal já sai postando e é um perigo isso. Instagram é um perigo.

Rosana Jatobá – E as fãs, enlouquecem com vocês no palco, elas cobram isso de vocês, a imagem?

Diguinho – Cobram, eu não posso arrancar a barba. Tem vez eu quero deixar a cara limpa um pouco, mas é imediato. É chegar no show que elas falam “Ah não, você tirou a barba”. Mas tem uma cobrança, arranquei a barba , danou-se.

Rosana Jatobá – Outro dia eu entrevistei o Sérgio Reis e ele falou que depois de um show tinha uma mulher nua na cama à espera dele. Isso já tem muitos anos. Vocês lidam com esse assédio de uma maneira muito desenfreada ou não, é tranquilo, as meninas respeitam ou se atiram assim?

Diguinho – Eu peço um vinho (risos).

Rosana Jatobá – Pede um vinho?

Diguinho – E o creme de baunilha? (risos) Não, não, brincadeira, brincadeira.

Rosana Jatobá – Você não pode, Breno, você é casadíssimo. Qual é o nome do sua esposa?

Breno – Neide

Rosana Jatobá – Neide, um beijo. Obrigada por ter cedido o Breno pra gente.

Breno – Beijo, Neide.

Rosana Jatobá – Nino, Você também é casado?

Nino – Casado com a Kátia.

Rosana Jatobá – Há quanto tempo Nino?

Nino – Seis anos.

Rosana Jatobá – E o Mário, você é casado?

Mário – Casadíssimo, 26 anos.

Rosana Jatobá – Com quem?

Mário – Com a Ana.

Rosana Jatobá – Ana. Então ela conhece toda a trajetória do Katinguelê?

Mário – Era uma fã, agora virou minha mulher.

Rosana Jatobá – Ai que maravilha. E o Teó?

Téo – Casado, 19 anos, Karina, te amo.

Rosana Jatobá – E você, Diguinho?

Diguinho – Eu casei, separei há pouco tempo. Tô recém-divorciado agora.

Rosana Jatobá – Tá na pista?

Diguinho – Tô na pista procurando um creme de baunilha pra completar meu coração(risos).

Rosana Jatobá – Mas o que você deseja numa mulher?

Diguinho – Ah, sei lá, eu acho que é a confiança, você poder ir pra estrada e ter confiança, parceria.  Acho que isso vale mais do que qualquer outro adjetivo que ela possa ter. Parceria, confiar na pessoa, você saber que a pessoa tá contigo pelo que você é, pelo ser humano, não pelo cara que canta. Eu acho que tem um segredo assim, quando você tá namorando e a menina vai te apresentar pra família dela como cara do Katinguelê, ela não gosta de você. “Essa aqui é o Rodrigo, ele é do Katinguelê”, “Esse aqui é o Breno, ele é do Katinguelê”. “Esse aqui é o Téo do Katinguelê”, aí você vê a maldade ali. Pra gente é difícil, por isso que eles são casados, eu fui casado um tempão também. Na realidade você tem essa pessoa que você conheceu antes da fama, no tempo de perrengue mesmo, a pessoa tem que gostar de ti mesmo, depois que acontecer, aconteceu. E aí o casamento começa a durar mais, porque dá medo de você sair de um relacionamento hoje e entrar num que você não sabe realmente. Então pra mim a mulher tem que ser mulher de verdade, parceira, madura.

Rosana Jatobá – Que compreenda o assédio e lide bem com isso?

Diguinho – Isso, a parte mais difícil é isso aí.

Rosana Jatobá – Claro, né. Porque vocês estão lá e as meninas estão enlouquecidas.

Diguinho – Verdade.

Rosana Jatobá – Olha, fim de ano tá chegando, vocês estão com o propósito de gravar um DVD. A novidade é que vocês querem que seja em praça pública, ou seja, acesso irrestrito pra todo mundo. Por que essa escolha , ainda mais numa comunidade desfavorecida?

Diguinho – Nós somos frutos dessa vida, né. O Téo, por exemplo, mora na zona sul, então a gente viveu essa realidade muito na nossa infância, de não ter as coisas, de não ter acesso a muitas coisas. E hoje a gente faz show em qualquer lugar do Brasil, nas grandes casas de espetáculos, praça pública pra 40, 50 mil pessoas.

Rosana Jatobá – Até fora do país, né?

Diguinho – Fora do país. O Katinguelê fez uma turnê pela Europa há três anos atrás, pro Japão também. Então a gente tem acesso à um mundo, pra nós aqui a gente tem acesso à internet e tem um monte de aparelho. Pra essas crianças, pra essas pessoas que estão crescendo na comunidade, já não tem esse acesso. Então de repente pra essa pessoa ver o Katinguelê, ela não tem a grana do ônibus, não podia ir numa casa grande de espetáculo, que é R$ 80 ou R$ 150 pra entrar. Então a gente quer levar toda essa estrutura, todo esse sonho pra essa galera, ninguém vai lá gravar um DVD. Então a gente quer gravar num bairro bem carente de São Paulo, de graça pra juntar todo mundo, pra aquela galera isso vai fazer parte da vida dessas pessoas. Eu fui num show do Michael Jackson quando ele veio no Brasil, eu tinha 14 anos, abriu um universo pra mim.

Rosana Jatobá – Quase que ele desembucha a idade. (risos). Se a gente fizer os cálculos….

Diguinho – Eu tô com 30, então até hoje eu lembro. Eu acho que vai ser o mesmo efeito pra galera que não tem acesso a isso, né. Não é só na televisão, às vezes nem televisão.

Rosana Jatobá – O Milton Nascimento já dizia que o artista tem que ir aonde o mundo está.

Diguinho – Eu acho que tinha que ter cinema público, ter acesso à arte. E a gente faz muito show em comunidade, não é que a gente tá falando que vai gravar um DVD lá. Nós fazemos muitos shows em comunidade a preços acessíveis para os contratantes, para as pessoas que querem fazer acontecer. É muito melhor cantar em qualquer outro lugar, você ver aquela criança ali descalça, chorando, porque tu tá ali perto deles. Tem vários lugares que a gente queria fazer.

Rosana Jatobá – Vocês venderam 8 milhões de cópias, é um número realmente absurdo, de patamar muito grande. E hoje vocês com essa mudança toda no mercado fonográfica, porque a música no Brasil passa por uma transição difícil para os artistas. Como é que vocês estão lidando com isso, de não vender tantos discos como vocês vendiam antes?

Diguinho – Não vender nada, né. A gente manda fazer 100 mil cópias de três em três meses pra dar. Já demos 70 mil cópias mais ou menos, desse disco já demos 50. Uma coisa que a internet veio pra somar num lado da pessoa, de divulgar o trabalho e também veio pra destruir muitas profissões, compositores como Peninha, Chico Roque, perderam aquela gana de compor e viver de composição. O Peninha simplesmente vivia de composição, de sentar com o violão e isso o povo brasileiro ganhava muito com essas viagens dele. Porque a partir do momento que o compositor senta com seu violão e não tá pensando em mais nada, a riqueza da música é outra. Você pode ver músicas de 10 anos trás e músicas de hoje. As músicas são um refil muito rápido, diferente de músicas do Só Pra Contrariar, músicas do Katinguelê dessa época, tantos e tantos outros artistas. Djavan e outros que eu acho que deveria haver um meio termo como nos Estados Unidos tem, no Japão tem. Lá, por exemplo, no Japão um amigo meu quase foi preso porque ele baixou um certo limite de música por mês e a polícia foi na casa dele. Como a polícia descobriu que o computador dele estava assim. Mas se eles conseguem lá, a gente consegue aqui. Mas também tem um outro tema que é muito importante falar, tem esse lado que é ruim pra gente, a gente fica sem receber e a gente vive disso, temos família e o outro lado que a divisão de renda no nosso país é muito ruim.

Rosana Jatobá – Desigual, né?

Diguinho – Desigual, então você vê que essa mesma pessoa que não tem acesso ao show do Katinguelê não vai conseguir pagar R$ 20 num DVD. Vai querer comprar o DVD do Katinguelê, de outros artistas, o cara ganha R$ 500 como ele vai comprar esses DVDs, então deveria existir um meio termo aí.

Rosana Jatobá – Um equilíbrio, né. Mas foi interessante você abordar o outro lado da história. A gente sabe que pirataria é crime, prejudica muita gente, muitos setores, mas por outro lado como fica o acesso das pessoas à música de qualidade?

Diguinho – Eu prefiro que você compre uma pizza e coma com a sua família e compre o nosso CD pirata , do que compre o original e deixe de comer a pizza.

Rosana Jatobá – Esse assunto gera muita polêmica, eu ficaria com vocês aqui a tarde inteira.

Diguinho – Eu também.

Rosana Jatobá – Vocês são muito interessantes e inteligentes, ao longo do programa a gente viu aí o quanto falam com propriedade, com naturalidade, merecem cada gota de sucesso que vocês acumularam ao longo desses 28 anos.

Diguinho – Obrigada, desculpa pela brincadeira.

Rosana Jatobá – Imagina, eu adorei! eu quero muito agradecer a presença de vocês, estou muito honrada em recebe-los e mais honrada ainda de saber que os nossos ouvintes viram que vocês não são apenas um grupo que toca pagode com músicas maravilhosas, mas vocês têm compromissos ambientais, de preservação da natureza, de meio ambiente e também projetos sociais de ajuda às comunidades mais carentes.Vocês estão de parabéns por isso.

Mário – Nós agradecemos, somos fãs do seu trabalho também, de muito tempo, desde quando era criancinha (risos).

Rosana Jatobá – Agora fala pra mim pra gente finalizar mesmo, a última pergunta. O que vocês acharam de ter um espaço na mídia, num veículo como esse , a Rádio Globo, de tanto prestígio , pra poder falar não só de músicas, mas de outros assuntos?

Diguinho – Eu achei maravilhoso, eu gostei bastante. Eu acho muito legal porque todos os artistas precisam dessa porta aberta, obrigada, não em nome do Katinguelê, mas em nome de todas as pessoas que passaram por aqui. É uma ligação direta com o nosso público, então de repente a galera tá em casa agora, tá no carro e tá querendo saber um pouco mais da gente e não tem esse acesso. De repente a gente vem na rádio pra falar da música de trabalho e morre nisso. A gente falou aqui de vida pessoal, brincou, abordou vários assuntos que vai agradando uns e desagradando outros, pelo menos a gente tá sendo sincero e mostrando o artista sem aquela máscara que a gente é obrigado a ter em alguns momentos. Eu que agradeço pelo espaço que você cedeu pra gente, a Rádio Globo, os profissionais que estão envolvidos com o seu programa.

Rosana Jatobá – Muito bem. Pessoal, o Conversa com a Jatobá tá chegando ao fim, mas na semana que vem tem mais e gente finaliza o programa com um dos sucessos do novo CD do Katinguelê “Princípios”.

Diguinho – Quero deixar o nosso twitter @grupokatinguele, mandar um beijo pra todo mundo que tá ouvindo, um abraço e vamos cantar então.

Rosana Jatobá – Um beijo pra vocês.

Diguinho – O grande segredo é esse conquistar todos os dias a mesma mulher.

Rosana Jatobá – Manda um beijo para o pessoal que tá ouvindo a gente na internet!

Se preferir, ouça aqui.

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