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Conversa com a Jatobá recebe as Irmãs Galvão

por Universo Jatoba

1º bloco

Rosana Jatobá – Olá, boa tarde! Começa agora mais um Conversa com a Jatobá, seja muito bem vindo. Você que tá em casa de papo para o ar, venha ouvir o nosso programa. Hoje eu tenho a honra de receber aqui no estúdio As Galvão, que o Brasil todo conhece como Irmãs Galvão. Boa tarde pra vocês!

Mary e Marilene – Muito boa tarde.

Rosana Jatobá – Começa explicando pra gente por que vocês eram Irmãs Galvão e agora são As Galvão.

Mary – Continuamos irmãs, não teve jeito de separar. Mas de vez em quando artistas fazem uma frescura, então precisa inventar qualquer coisa, o gancho. Aí nós consultamos uma numeróloga, a Mara, e com isso ela sugeriu que a gente tirasse “As Irmãs” e fizesse “As Galvão”.

Rosana Jatobá – Mas por que ela disse que vocês precisavam tirar “As Irmãs” aí do título?

Mary – Olha, eu acho que ela disse que daria mais certo, ficaria melhor e realmente as pessoas ficaram curiosas e nessa época a gente foi pra todo lugar, eles queriam saber porque. Foi bom, tanto que nós estamos aqui.

Rosana Jatobá – É, mas vocês estão aqui por essa brilhante carreira de 67 anos. Se tivessem mantido “As Irmãs Galvão”, estariam aqui também do mesmo jeito.

Mary – Certo, mas a Marilene sabe explicar direitinho.

Marilene – Você sabe que os mais tradicionais em tempo de carreira, eles não aceitam As Galvão, sabe. Estão aqui, mas pra nós vão ser sempre “As Irmãs Galvão”.

Rosana Jatobá – Foi por isso que eu perguntei pra vocês, é uma tradição “As Irmãs Galvão”, né.

Mary – É tradição mesmo e atualmente eles chamam a gente de “As Meninas Galvão” e também “As Meninas de Sapezal”.

Marilene – São muitas meninas, né.

Rosana Jatobá – Uma parceria que dura 67 anos. Como é que vocês começaram a cantar juntas?

Marilene – Foi dentro de casa mesmo, os pais cantavam, não chegaram a ter profissionalismo. Papai era alfaiate, mamãe trabalhando com eles e eles cantavam. E nós ouvindo as canções que eles cantavam na época muito meninas, eu com 5 e a Mary com 7 anos. Aí quando nós estávamos lavando louça para a mamãe, né, Mary?

Mary – É, naquele tempo mesmo com pouca idade, a mulher era preparada pra trabalhar em casa.

Rosana Jatobá – Prendada.

Mary – Mas acontece que a gente fazia isso cantando.

Rosana Jatobá – Ah, e que tipo de música vocês cantavam naquela época?

Mary – Era seresta, papai e mamãe cantava muita seresta. Mas a primeira música que nós cantamos em rádio, na Rádio Clube Marconi, de Paraguaçú Paulista, foi essa aqui. Você imagina duas meninas cantando castelhano.

Rosana Jatobá – Foi um sucesso, né, eu imagino.

Mary – Cantando em castelhano, não sabia nem o que estava dizendo, mas foi sucesso e assim nós continuamos.

Rosana Jatobá – E Mary, naquela época quem fazia sucesso com as serestas? Vamos fazer uma volta no túnel do tempo.

Mary – Era Francisco Alves, Silvio Caldas, Orlando Silva.

Rosana Jatobá – Orlando Silva é uma voz maravilhosa, né.

Mary – Emilinha Borba, eu era do time da Emilinha Borba.

Rosana Jatobá – Existia uma rivalidade entre a Emilinha Borba e a?

Mary – Marlene.

Rosana Jatobá – Inclusive no Carnaval, né?

Mary – Isso, tinha uma cantava uma música, outra cantava uma outra mais ou menos assim se degladiando.

Rosana Jatobá – Comparando, né, quem era mais interessante, mais bonita, mais isso, mais aquilo?

Mary – Eu torcia pela Emilinha Borba e ela torcia pela Marlene. E nós brigávamos por causa disso. Agora foi lindo que anos depois, a gente já aqui em São Paulo, na Rádio Nacional, hoje Globo…

Rosana Jatobá – Que é a Rádio Globo hoje. Quer dizer que vocês tiveram uma exposição para o Brasil a partir da Rádio Globo?

Mary – Da Rádio Globo, aí nós ficamos integradas com a Rádio Nacional e essa Rádio Nacional nos levou para fazer um programa famosíssimo que era Ronda dos Bairros. E nessa Ronda dos Bairros vinham os artistas do Rio de Janeiro. De repente a gente estava cantando com Emilinha Borba, com Marlene, com Cauby Peixoto, com Ângela Maria.

Marilene – Trio de Ouro.

Mary – Trio de Ouro, Nalva de Oliveira. Então você imagina nós cantando junto com eles, né!

Rosana Jatobá – Que emoção, né! E com aquela idade, que idade vocês tinham quando estrearam na Rádio Globo

Mary – Eu tinha 12 anos e ela tinha 10.

Rosana Jatobá – Nossa, duas crianças acompanhadas dos pais.

Marilene – Sempre, sempre o pai na retaguarda, né.

Rosana Jatobá – O pai sempre deu apoio a vocês?

Mary – Eu acho que eles queriam ser artista, então resolveram botar as duas e vai lá, vai cantar. Então nós começamos assim.

Rosana Jatobá – Eu estava fazendo uma pesquisa sobre a carreira de vocês e vocês dizem que a roupa, a vestimenta, saber se apresentar com a melhor roupa, sempre foi um ponto fundamental na carreira. Por que vocês valorizam essa boa apresentação para o público?

Mary – Rosana, é o respeito pelo público que a gente aprendeu muito cedo, porque nós começamos fazendo shows em circo. A mamãe era costureira e ela então ficava procurando a moda nas revistas, né.

Rosana Jatobá – Tinha aqueles moldes, né?

Mary – Isso, tinha os moldes. Então ela fazia as nossas roupas e o papai sempre por perto porque ele era alfaiate. Então sempre controlando as coisas que a mamãe fazia. Nós crescemos dessa forma, até hoje nós temos essa preocupação.

Rosana Jatobá – É, eu tô perguntando porque eu tô vendo que realmente você são muito bem arrumadas, com joias, bem penteadas, maquiadas. E me parece que isso já é tradição há muitos anos.

Mary – É tradição, nós já levantamos prontas. De repente toca o telefone e olha “Tem um programa aí de televisão, tá pronta?”. “Só falta o colarzinho”. Aí a gente já sai.

Rosana Jatobá – E hoje não acontece mais isso com as mulheres, né?

Mary – Não, não, infelizmente.

Rosana Jatobá – Essa vida louca que a gente leva, é difícil até ir no salão fazer as unhas. Olha como estão as minhas!

Mary – Tá bonita. É que eu também tô sem óculos pra ver os detalhes. Mas todo mundo diz assim que agora nós somos sexy.

Rosana Jatobá – Ah, é?

Mary – Sexagenárias (risos).

Rosana Jatobá – Mas continuam encantando com toda a firmeza, com todo o encanto. Hoje nos shows que vocês fazem pelo Brasil afora, que tipo de música, qual é aquela que a gente vai cantar agora para o nosso público da Rádio Globo?

Mary – Uma que não pode faltar: “No Calor dos teus Abraços”.

Rosana Jatobá – De quem é essa composição?

Mary – É do Cecílio Nena e do Niceas Drummond.

Rosana Jatobá – Então, olha só, você que tá ouvindo a gente aqui no Conversa com a Jatobá, presta atenção nessa música executada pela dupla sertaneja mais antiga em atividade no Brasil, As Galvão. E daqui a pouco a gente volta aqui no Conversa com a Jatobá.

2º bloco

Rosana Jatobá – Estamos de volta com o Conversa com a Jatobá, você está ouvindo aí a composição “Eu e minha irmã”, do Renato Teixeira, que As Galvão, essa dupla sertaneja mais antiga em atividade no Brasil, executa no novo CD da dupla “No calor dos teus abraços”. E tem também grandes sucessos. Tudo aqui relativo ao mundo sertanejo?

Marilene – Olha são todas, todas que o povo canta junto. A gente tá muito feliz com esse trabalho.

Rosana Jatobá – São 14 músicas, muitas delas conhecidíssimas do público brasileiro.

Mary – Certo, são as músicas que a gente ama cantar esta nesse CD. Há anos a gente canta esses sucessos. São músicas imortais.

Rosana Jatobá – Por exemplo, “Colcha de Retalhos”. Dá uma palhinha pra nós aí! Linda essa composição.

Mary – É linda, essas é uma das músicas do cancioneiro caipira que a primeira gravação foi feita por Cascatinha e Inhana. Então é uma música imortal, toda vez que ela é gravada, mesmo com outros arranjos, com outro ritmo, qualquer coisa, com outra interpretação, ela é um sucesso.

Rosana Jatobá – E vocês tocam muita essa música nos shows aí pelo Brasil?

Mary – Sempre, sempre precisa cantar essa música. Pedem essa, pedem “Beijinho Doce”, “Chalana”. Então são músicas que quando a gente entra primeira coisa que pedem “Beijinho Doce”, aí depois começam pedir “Colcha de Retalhos”.

Rosana Jatobá – Eu posso pedir “Beijinho Doce” então?

Mary – Pode sim.

Rosana Jatobá – Vocês cantam sertanejo de uma maneira romântica, ingênua, muito bucólico, vocês veem muita diferença hoje dessas músicas que estão tocando música sertaneja por aí?

Mary – Ah, muita diferença. A fila anda e o pessoal que vêm eles querem uma coisa nova, os rapazes cantores excelentes, então eles vêm com uma roupagem diferente, as letras são mais pesadas. Então você vê o “Beijinho Doce” fala de um amor de beijinho sem ser agressivo, né. Então o que tá se fazendo agora, a mídia tá aí fazendo sucesso com essas duplas, que são maravilhosos e abrindo portas.

Rosana Jatobá – Tá abrindo portas?

Mary – Abrindo portas, agora pra isso o que eu queria complementar, é que tudo isso reforça a raiz. Então eles estão aí dando continuidade ao que se fez anteriormente, porque a raiz foi boa. A música de raiz foi muito boa.

Rosana Jatobá – Mas vocês não acham que essa nova roupagem agora com letras diferentes, você disse pesadas, essas de duplo sentido, que não exploram mais a consciência do homem do campo, o universo do campo, o romantismo. Isso de alguma maneira vai levar pra um caminho de descaracterização da música sertaneja de raiz ou não?

Mary – Não, porque a música de raiz ela tem mais de 80 anos comprovados.

Marilene – Muitos representantes ainda né, do nosso tempo a gente tá aí correndo e dizendo para o pessoal que a música caipira existe, para o jovem.

Mary – E o jovem está fazendo escola de viola, estão cantando as músicas mais antigas e estão compondo música de raiz, as toadas maravilhosas.

Rosana Jatobá – Resgate da tradição.

Mary – Isso, o resgate da tradição.

Rosana Jatobá – Dessas duplas novas, quais que vocês mais admiram?

Marilene – Victor e Léo.

Rosana Jatobá – Victor e Léo?

Mary – Eles são ótimos. Sempre quando tem um tempo de música diferenciado no sertanejo, tem sempre uma que fica. Tem milhares que entram, nós tivemos o tempo de Léo Canhoto e Robertinho. Depois nós tivemos Milionário e José Rico, que muita dupla entrou cantando igual, querendo chegar. Eles continuaram, aí depois nós tivemos Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano. Então eles trouxeram uma outra visão da música sertaneja. Agora a música caipira, toda vez que nós fomos em muitos shows desse pessoal todo, tem a hora da música caipira. É a hora que o público levanta, então a gente fica emocionada porque a gente vê o respeito que o povo brasileiro tem pela música raiz. Não pode morrer de forma nenhuma.

Rosana Jatobá – E vocês estão aqui pra perpetuar essa tradição.

Mary – Ah, sim, enquanto nós tivermos fôlego, enquanto a minha irmã aguentar, vai ser maravilhoso.

Rosana Jatobá – E esses shows beneficentes que vocês fazem aí pelo Brasil agora? Por que essa escolha de reservar na agenda de vocês um espaço para oferecer música de qualidade a quem não tem condições de pagar?

Mary – Rosana, eu acho que Deus nos deu a cada um de nós um talento e a gente tem que dividir esse talento. Então quando chegamos pra cantar numa escola, numa faculdade ou num hospital, como já aconteceu da gente ir num hospital e cantar de quarto em quarto, então nós nos sentimos muito bem. Estamos agradecendo a Deus e dando uma força, trazendo energia do alto para as pessoas.

Rosana Jatobá – A maior recompensa é a gente que recebe, né?

Mary – É a gente que recebe quando se doa, é verdade.

Rosana Jatobá – E nesses momentos assim mais emocionantes, de contato com esse público, que tipo de música ou exatamente que música que vocês gostam de cantar?

Mary – Ai, você vai gostar.

Rosana Jatobá – Que lindo, de quem é essa composição?

Mary – De Elpídio dos Santos. Ele tinha uma sensibilidade, então quando a gente fala pra você que a gente quer levar alguma coisa para as pessoas e a gente canta essa música, a gente leva sonho. As pessoas ficam imaginando aquela procissão, ficam imaginando aquela casinha lá no alto da serra. Então o sonhar é muito bonito, é muito bom, enquanto se tem vida precisa sonhar. Então essa música tenho certeza que as pessoas ficam sensibilizadas com ela.

Marilene – Elpídio dos Santos já falecido, infelizmente, mas ele deixou uma história. Porque o Mazzaropi, todos os filmes deles, ele tinha, pelo menos, duas músicas de Elpídio dos Santos.

Rosana Jatobá – Um grande compositor.

Marilene – Maravilhoso e amigo, amigo mesmo.

Rosana Jatobá – Eu quero saber de outras histórias tão interessantes quanto esta, daqui a pouco no próximo bloco. Você que tá ouvindo aí Conversa com a Jatobá, não saia daí, daqui a pouco eu volto! Até já!

3º bloco

Rosana Jatobá – “As Rosas não Falam”, uma composição do grande Cartola, interpretada pela maravilhosa dupla As Galvão, que tem o auxílio luxuoso desse violonista aqui presente, nos brindando com essa música de altíssima qualidade.

Mary – É isso que eu gostaria de dizer pra você que quando o Mário Campanha, esse violonista de grande talento e que eu tenho assim uma admiração muito grande. Então ele é nosso violeiro, nosso compositor, nosso produtor, nosso marido.

Rosana Jatobá – Seu Cravo e suas duas mulheres? (risos) Porque tem Dona Flor e seus dois maridos. Explica essa situação “nosso marido”, como assim?

Mário Campanha – É que todo mundo fala “Você é marido das irmãs Galvão?”. Eu falo não, eu sou casado com uma, a outra é minha cunhada. Depois de várias perguntas que fizeram pra mim eu falei assim: “Sou”.

Mary – Ele cansou de explicar.

Mário Campanha – Eu sou marido das duas, eu cuido das duas. Ainda mais agora que a minha cunhada tá viúva, então agora tem que cuidar mesmo.

Rosana Jatobá – E como você conheceu a sua mulher, a Mary?

Mário Campanha – Por um projeto da Secretaria da Cultura ela fez um projeto com vários grupos pra shows nas praças do Brasil, no estado de São Paulo, principalmente. Eles arrebanharam uma série de músicos lá e começaram a formar pequenos grupos com 10 artistas cada um e eu não entendia nada de sertanejo porque eu tocava rock’n’roll.

Rosana Jatobá – Rock’n’roll? Que engraçado!

Mary – Ele é beatlemaníaco.

Rosana Jatobá – Fã dos Beatles?

Mário Campanha – Sou. E eu fui lá pra acompanhar esses artistas. Eu fui contratado pra acompanhar esses artistas e elas faziam parte desse grupo. Aí eu fiquei olhando para aquela loira assim, Nossa Senhora.

Rosana Jatobá – Bem arrumada, bem vestida.

Mário Campanha – Mas ela era narizinho em pé, não dava mole, não.

Rosana Jatobá – Mas é bom assim, não pode dar mole, não.

Mary – Não, não, é por isso que ele tá aqui.

Rosana Jatobá – Exatamente.

Mário Campanha – Ela judiou de mim nove meses, foi uma gestação.

Rosana Jatobá – Nove? Ganhou de mim, porque eu dei um chá no meu marido de seis meses, por isso que ele casou comigo.

Mary – Tá vendo como é bom as meninas saberem que olha não dá muito mole não.

Mário Campanha – Foi difícil.

Rosana Jatobá – É? E você abordava de que maneira?

Mário Campanha – Eu ficava olhando, conversava, vinha sentando, sempre conversando, geralmente a gente viajava à noite pra estar no dia seguinte na cidade fazer publicidade, rádio, televisão para o show à noite. A gente vinha conversando, batendo papo.

Mary – Ele fazia parte do nosso grupo, por isso foi mais fácil um pouco.

Rosana Jatobá – Marilene, você apoiou a sua irmã?

Marilene – Não.

Rosana Jatobá – Não? (risos) O que você dizia pra ela?

Mário Campanha – Essa foi casca grossa.

Rosana Jatobá – Foi mesmo?

Mário Campanha – Nossa Senhora!

Marilene – Eu falava: “Cuidado”.

Rosana Jatobá – Cuidado que esse roqueiro tá com más intenções.

Marilene – E outra coisa, ele era muito bonito, chamava atenção, sabe.

Rosana Jatobá – Mas ela também é linda.

Marilene – Então, mas a preocupação era com ela.

Rosana Jatobá – Você estava com medo que a sua irmã se metesse em uma fria?

Marilene – É claro.

Rosana Jatobá – Com um mulherengo, bonito.

Mary – Nós nos cuidamos, então determinadas coisas dizia “Olha, não olha” . Tem até uma historinha nossa que tava passando aquela novela “Caminho das Índias”, então tinha aquele bonitão. Aí vinha aquele bonitão.

Rosana Jatobá – O Raj?

Mary – O Raj. Aí eu não tinha jeito de ligar para a minha irmã, aí eu inventei uma coisa. Liguei “Ô Marilene, você mudou recentemente, você decidiu o que você vai ter: máquina de lavar roupa ou vai ter tanquinho?” Aí eu sabia que ela tava assistindo a novela, aí ela lá do outro lado: “Não, tudo bem”. Aí no dia seguinte outra vez: “E daí Marilene”, quando ele aparecia, né. “E o tanquinho, você já comprou?”. No terceiro dia eu não falei nada, ele do outro lado falou assim: “Ô, você não vai perguntar para a sua irmã do tanquinho?” (risos).

Rosana Jatobá – Quando foi que ele capturou de vez o seu coração?

Mary – Da primeira vez que a gente se encontrou, quando eu vi o Mário Campanha tocando, eu falei “Opa, antes que uma pegue primeiro, eu vou ser a primeira e vou segurar esse cara”.

Rosana Jatobá – Vou fisgar esse talento.

Mary – Esse é o cara, aí eu vou fisgar esse talento e estamos juntos já há 32 anos.

Rosana Jatobá – Que maravilha! E a música é que sela esse amor?

Mary – Lógico. Você precisa ver em casa a Marilene tá lá, eu tô lá cozinhando, fazendo alguma coisa e lá vem ele com o violão “Canta aquela música”, dali sai. E foi dali que nasceu exatamente esse trabalho de música popular brasileira, que nós resgatamos, nós trouxemos as músicas de grande sucesso. De Chico Buarque de Hollanda, do Cartola, do Tom Jobim, muita gente.

Mário Campanha – Eu imagino alguma coisa e corro pra cozinha e falo “Escuta, você duas. Vamos fazer uma coisa, brincar com uma música lá das serestas? Mas vamos fazer um rock’n’roll aí pra mim em cima disso? Vamos fazer uma miscelânea de sertanejo brincando com o rock’n’roll?”.

Rosana Jatobá – “Caminhemos” é uma composição que está no novo CD de vocês.

Mary – É a primeira faixa desse CD.

Rosana Jatobá – E aqui no CD tá com essa batida mais pesada?

Mary – Tá.

Rosana Jatobá – Que delícia!

Mário Campanha – Essas coisas, 99% da nossa produção é brincando. A gente vai cantando, vamos fazendo uma brincadeira.

Rosana Jatobá – Essa mistura de estilos, ritmos novos. E você então que trouxe esse frescor para a música sertaneja das Galvão?

Mário Campanha – Legal, foi isso mesmo.

Rosana Jatobá – Marilene, você imaginava que o seu cunhado ia ser assim esse homem brilhante na carreira de vocês?

Marilene – Não.

Rosana Jatobá – Você tem que dar o braço a torcer, Marilene!  (risos) Agora você tem que se redimir aqui no Conversa com a Jatobá.

Marilene – Com certeza e ele sabe disso, o quanto que a gente se gosta, ele é uma pessoa maravilhosa, é companheiro mesmo. Então nós aprendemos a cantar em casa, mas teve muitas coisas que ele passou a nos caminhar de uma forma diferente.

Rosana Jatobá – Veio para agregar.

Marilene – Muito bom.

Rosana Jatobá – Então eu achei muito interessante o lema da dupla, que é uma frase do Albert Einstein que diz o seguinte: “Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se se escolher o mundo, ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele você conquistará o mundo”. Essa frase é muito apropriada pra história de vocês, né?

Mary – É sim. Ela se encaixa bem na nossa história e tudo que fazemos, fazemos com imenso amor.

Rosana Jatobá – E agora então vou pedir pra vocês uma composição que tem a ver com essa história de amor da dupla com o auxílio luxuoso desse grande violonista que está aqui encantando o nosso programa.

Mary – Essa música fala da nossa história.

Rosana Jatobá – Ah, vamos lá! Atenção, amantes, casais, maridos, atenção! “Pedacinhos”, essa composição está no novo CD da dupla e a gente volta então daqui a pouco aqui no Conversa com a Jatobá porque tem muita coisa interessante no próximo bloco. Você não pode perder, até já!

4º bloco

Rosana Jatobá – Estamos de volta com o Conversa com a Jatobá, você acabou de ouvir a música “O culpado é você”, é a música de número 9 do novo CD de As Galvão “No Calor dos teus Abraços”.

Mary – Maravilha.

Rosana Jatobá – Linda essa música, né?

Mary – Linda. Então menina, posso falar uma particularidade?

Rosana Jatobá – Claro, fica a vontade.

Mary – Olha, eu briguei muito com ele por sua causa.

Rosana Jatobá – Por minha causa? Mas esse amor tão lindo.

Mary – É, pois é, mas você chegou e balançou o nosso coreto.

Rosana Jatobá – Meu Deus do céu, o que foi que eu fiz de tão grave?

Mary – Quando você entrava pra fazer a previsão do tempo eu falava pra ele: “Ai vem ver a sua Jatobá”.

Rosana Jatobá – A sua Jatobá?

Mary – É, então ele vinha pra ver e ele dizia…

Mário Campanha – “Nossa, olha o andar dessa mulher! Ela é muito linda”. Aí ela falava “Tá bom, já chega, tira o olho, viu”. Mas eu dizia “Ela é bonita, ela tem um andar muito elegante, ela fala bonito”.

Mary – Aí eu saia da sala procurando andar igual você, mas nunca consegui (risos).

Rosana Jatobá – Eu fico lisonjeada. Muito obrigada.

Marilene – Você pôs um salto alto e depois você caiu, dessa vez eu estava lá junto.

Mary – Pois é.

Mário Campanha – Ela exagerou muito na pose.

Mary – É, eu exagerei na pose e ele falou pra mim assim: “Você não chega a Jatobá”. Falei “Tudo bem, então vou virar mexerica”.

Mário Campanha – Eu vou falar pra você outra coisa. Ontem ela não queria que eu viesse.

Rosana Jatobá – Não queria?

Mário Campanha – Não queria porque eu tinha que fazer inspeção na minha moto. Hoje era dia de fazer inspeção veicular na minha moto.

Rosana Jatobá – Vocês andam de moto por aí?

Mário Campanha – Andamos.

Rosana Jatobá – Que maravilha!

Marilene – Viajaram já 1300 km os dois. Foram pra Coxim, no Mato Grosso do Sul.

Rosana Jatobá – Marilene, você não fica preocupada com esses dois aí na moto, não?

Mário Campanha – Não, mas é uma moto grande, uma BMW bem transada.

Rosana Jatobá – Daquelas robustas que dão estabilidade, né?

Mary – E quando a gente vai tem que ficar alguém pra rezar, né (risos). Ela que fica rezando (risos).

Rosana Jatobá – Não leva pra segurar vela, deixa em casa rezando?

Mário Campanha – Mas ela não queria que eu viesse pra ver você hoje.

Rosana Jatobá –  Ah é, né.

Mário Campanha – Ela disse “Você não vai, vai ficar lá encarando a Jatobá, você não vai não”. Ela só me manda quando é velório, essas coisas, aí ela me convida.

Rosana Jatobá – E naquela época você prestava atenção na previsão do tempo?

Mário Campanha – Ah, sim, demais.

Mary – Não, não (risos). Terminava a previsão do tempo e ele falava assim: “O que vai acontecer mesmo?”.

Rosana Jatobá – Você sabe que aqui na Rádio Globo eu tenho um programa que chama “Tempo bom, mundo melhor”, que a gente fala sobre sustentabilidade. Aí eu aproveito o gancho pra perguntar pra vocês, nessa minha nova jornada profissional em que eu falo de tudo que está relacionado a preservação da natureza, diminuição do nosso impacto, da forma como estamos destruindo a natureza, os recursos naturais. Vocês têm essa preocupação dentro de casa? Com medidas simples, por exemplo, separar o lixo, não desperdiçar alimentos, economizar energia, quem é que fica assim patrulhando em casa e mando a mensagem da sustentabilidade?

Mary – Todos nós aqui. A Marilene, por exemplo, mora em Embu Guaçú, então ela tem essa preocupação de tudo. Inclusive ela mora perto de uma floresta ali, o quintal dela já é uma floresta. Então ela tem muito cuidado com os pássaros, tem muito cuidado com tudo ali em torno da casa dela. E nós aqui também, tanto que ontem passou lá a fiscalização da dengue, sempre no bairro passa, né, e a moça que estava lá anotando as visitas, ela chegou e falou “Olha, só vim perguntar, eu sei porque faz três anos que passo aqui e sei na sua casa eu não preciso entrar”. Então você ter certeza que nós estamos aqui procurando ajudar a natureza.

Mário Campanha – É um dever de todos nós.

Mary – É o dever, é obrigação.

Rosana Jatobá – E dentro de casa vocês fazem a coleta do lixo, a separação?

Mary – Fazemos.

Rosana Jatobá – Economia de energia, economia de água?

Marilene – Só que na casa dela a economia de energia sou eu que faço.

Rosana Jatobá – Ah, é?

Marilene – Tem um corredor comprido, aí quando eu olho tá aceso o quarto deles, no meio do corredor, na sala, tudo assim, sabe. E eu vou apagando, casa não é nem minha.

Mário Campanha – Ela quer que a gente viva no escuro o tempo inteiro.

Mary – Tá vendo como ela cuida de mim?

Rosana Jatobá – Realmente um dos hábitos importantes é desligar a lâmpada no cômodo vazio. A gente consegue uma economia de até 15% na conta de luz, se a gente mantém as lâmpadas apagadas quando está fora daquele cômodo. Mas a gente vive mesmo na cultura da fartura, é difícil apagar a luz, fechar a torneira, reaproveitar o alimento, esses hábitos mais diários.

Mary – Nós viemos de uma cultura mal informada, mas agora nós temos obrigação de primeiro passar para os nossos filhos, foi o que nós fizemos, e agora os nossos netos. Então nós temos essa obrigação. Então nós estamos junto com você nessa luta pela sustentabilidade.

Rosana Jatobá – E vocês que tem netos, observam que os netos é que estão conscientizando os pais e os avós?

Mary – Sim, sim.

Marilene – Eu tenho uma neta que está com cinco anos, mas no ano passado eu fui buscá-la na escola e eu tinha chupado uma bala e joguei o papelzinho. E ela falou: “Vó, você não aprendeu ainda que não pode jogar lixo assim? Porque lixo é no lixo, vó!”.

Rosana Jatobá – Que graça, né?

Marilene – Você vê. Eu achei uma gracinha e falei: “Não filhinha, a vovó descuidou, mas a vovó não costuma fazer isso”. Claro que a gente não faz, mas fui chamada a atenção por ela.

Rosana Jatobá – Isso mostra o quanto o exemplo dos pais e dos avós é importante, né.

Mary – E as escolas estão se preocupando agora. Nós não aprendemos isso na escola, agora não, as escolas estão preocupadas em fazer com que a criança cresça tomando conhecimento da necessidade de cuidar do nosso planeta.

Rosana Jatobá – E a família de vocês, torce, vibra muito quando vocês se apresentam, são premiadas?

Mary – Muito.

Marilene – Nossa, muito.

Rosana Jatobá – Porque eu vejo aqui na biografia o quanto vocês já receberam títulos importantes, por exemplo, Prêmio Sharp, o Prêmio Caras de Música e até indicação ao Grammy Latino que é uma das grandes premiações da música popular.

Mary – Jatobá, nós tivemos agora uma alegria muito grande na nossa cidade, aonde nós começamos a cantar, que foi Sapezal, Paraguaçu Paulista. Nós tivemos inaugurado lá o nosso memorial. Estão lá os nossos troféus, as nossas primeiras fotos, toda a nossa história está lá, as homenagens.

Rosana Jatobá – Os instrumentos, né?

Mary – Isso. Tá tudo lá e em Paraguaçu através das pessoas que nos conheceram quando criança lá, hoje são vereadores, tem o prefeito que era vizinho nosso, que era criança também. Então eles resolveram fazer essa homenagem para As Galvão. Por isso que agora nós somos as meninas de Sapezal.

Rosana Jatobá – Numa carreira brilhante que já dura 67 anos. Eu  imagino que vocês já viram muitas coisas por esse Brasil afora, até mesmo no exterior porque a música de vocês é muito executada na Suíça, em Portugal, nos Estados Unidos. Mas eu acho que houve um momento neste ano de 2013, mais especialmente no dia 24 de julho, no Santuário Nacional de Aparecida, aqui em São Paulo, que vocês cantaram para o Papa Francisco. E cantaram a música “Romaria” na missa do Papa.

Mary – Foi sim.

Rosana Jatobá – Como é que foi essa emoção de representar o Brasil recebendo o Papa aqui?

Mary – Quase que não deu pra cantar porque ele tem uma presença maravilhosa, muito forte, ele é de estatura pequena, então ele se torna tão grande, tão maravilhoso. Ele realmente é uma pessoa que nós temos certeza que vai ajudar muito a humanidade.

Rosana Jatobá – Vocês são religiosas?

Mary – Somos, somos sim.

Rosana Jatobá – E o que vocês praticam diariamente?

Mary – A nossa oração de todos os dias, nós somos católicas e a nossa oração geralmente é essa aqui.

Rosana Jatobá – E aí quando vocês terminaram de cantar essa música, ficaram tão emocionadas que nem lembram mais o que aconteceu?

Mary – Foi muita emoção mesmo. E todo ano nós estamos em Aparecida, tem o Dia do Sertanejo, que praticamente fomos nós que começamos esse dia que faz parte da folhinha agora. E também no dia que foi inaugurada a televisão.

Marilene – Isso, nós estivemos lá, fomos convidadas.

Mary – Também quando foi inaugurada a rádio, você é velha, hein? Você é antiga, hein? (risos)

Rosana Jatobá – É, mas vocês tem uma carreira brilhante, não só na rádio, fazem shows no Brasil afora, são uma dupla reconhecidíssima pelo talento e as pessoas que querem ouvir um pouco mais da música de vocês, podem ligar para que número?

Mary – O nosso contato para shows é (011)3221-0727. Liga rapidinho porque o tempo tá passando. Por enquanto nós estamos cantando de pé, daqui a pouco já vai complicar porque vai precisar de banquinho. E outra coisa, nós fazemos catira, fazemos a dança da catira.

Rosana Jatobá – Ah, é? Que lindo!

Mary – Tem música de viola, tem uma porção de coisa bonita.

Rosana Jatobá – No show de vocês tem música caipira, vários estilos?

Mary – Vários estilos, então quando a gente vai fazer também catira, eu peço pra levar um aspirador de pó porque tá difícil de ver hoje. É uma coisa, menina.

Rosana Jatobá – Nada disso. Nem pensar, vocês não estão nem um pingo enferrujadas, ao contrário, estão desfrutando do maior vigor. Eu fico muito feliz em receber vocês aqui no Conversa com a Jatobá. Pra mim é um aprendizado incrível ver que pessoas que tem essa experiência de vida e uma carreira tão sólida, tão brilhante, tem tanta coisa importante pra falar pra gente aqui.

Marilene – Nós estamos muito felizes por poder estar com você porque a gente vem aqui e a gente reencontra também os amigos.

Rosana Jatobá – É, tudo começou aqui na Rádio Globo.

Marilene – Então você nos deu essa chance hoje.

Rosana Jatobá – Muito obrigada. Mary, eu queria que você deixasse então uma mensagem para os nossos ouvintes, mandasse um beijo especial para quem está ouvindo as irmãs Galvão, as eternas Irmãs Galvão.

Mary – Certo, certo. Nós queremos muito agradecer a Deus pelo talento que nos deu e podemos chegar a 67 anos e gostaríamos muito que os jovens prestasse atenção nisso. Faça tudo com amor porque você chega a 67 anos de carreira e nós vamos estar na comemoração do seu aniversário.

Rosana Jatobá – É isso aí. Então termina aqui o nosso Conversa com a Jatobá, eu vou pedir para essa dupla maravilhosa cantar mais um pouquinho pra gente. Pra você que tá me ouvindo, muito obrigada pela sua audiência, semana que vem tem mais! Beijo grande, tchau, tchau!

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