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Construções: Criar dificuldades

por Putz da Vida

Durante alguns anos, eu ia com bastante frequência a uma cidade nos arredores de Chicago. Tive a oportunidade de observar o desenvolvimento de um empreendimento imobiliário que chamou minha atenção pela velocidade com que foi erguido e ocupado. O terreno retangular de aproximadamente uns 130 metros de comprimento por uns 80 metros de largura (olhei no Google mapas), era ocupado por pequenos negócios e lojas.

De repente, coisa de uma semana para outra, o local foi todo cercado por tapumes. Placas anunciavam um edifício de uns 30 andares com lojas, escritórios e apartamentos residenciais. Em poucos dias, demoliram tudo e iniciaram as escavações. Em cerca de seis semanas, as garagens estavam prontas, entregues e funcionando, abrindo centenas de vagas de estacionamento!  Mais algumas semanas e o andar térreo já estava quase todo ocupado. Sim, as lojas já abertas e em atividade, gerando empregos e impostos, enquanto a construção continuava para cima. Uns dois meses depois, três ou quatro andares de escritórios já estavam prontos, parcialmente ocupados, com elevador e tudo. A construção continuava e sem perturbar os ocupantes.

O que mais me chamou a atenção, não foi propriamente a velocidade da construção. A construção com estrutura metálica é muito mais rápida que a de concreto armado. Nos Estado Unidos, a mão de obra (o tempo) é uma das mais importantes variáveis do custo. Fiquei pensando foi na rapidez da ocupação! Aqui em São Paulo, além do maior tempo exigido pela construção em concreto armado, não sei de nenhuma construção em que haja ocupação parcial, antes do prédio totalmente pronto.

Minha dedução foi que a diferença está na gigantesca burocracia necessária para poder iniciar a ocupação. São dezenas de documentos liberatórios exigidos por inúmeras autoridades municipais, estaduais e federais, com todas as dificuldades criadas para vender facilidades. Os diversos fiscais das inúmeras repartições públicas envolvidas se esmeram em exigências, nem sempre razoáveis. Os empreendedores e as construtoras já incluem esses custos nos preços de venda.

Tudo isso demanda tempo e dinheiro, pois o desnecessário e absurdo atraso na liberação do empreendimento pronto deixa de gerar impostos e postos de trabalho, mas enche os bolsos dos que criam e se aproveitam dessas dificuldades.

Um outro dia vou contar uma experiência pessoal.

 

Putz da Vida é Engenheiro Civil e Eletricista, pós-graduado em Administração de Empresas com especialização nos EUA. Após um breve período na construção civil, trabalhou durante mais de 40 anos como executivo. Aposentado, faz consultorias eventuais e estuda música.

Putz da Vida escreve aos domingos aqui no Universo Jatobá.

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