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Empecilhos da popularização da energia solar no Brasil

por Ivana Jatoba

Por que a energia solar no Brasil não deslancha? Você já se perguntou? Depois que eu entrei para a área de sustentabilidade nas construções, esta curiosidade sempre me acompanhou. Num país tão ensolarado como o nosso, por que instalar um sistema que aproveita a energia do sol convertendo-a em energia elétrica é algo tão distante da população? Lendo um texto muito interessante do SENGE (Sindicato dos Engenheiros da Bahia), elaborado pelo Professor da Universidade de Pernambuco, o sr. Heitor Scalambrini Costa, que aborda este tema, vi que as conclusões não são animadoras.

Para quem não sabe, o Brasil tem potencial atual de gerar em torno de 132 GW (gigawatts) de energia, contando com todas as usinas existentes. Contudo, só 0,0008% (isso mesmo!) desse total de energia é proveniente de sistemas solares, ou seja, apenas 1MW. Vemos aí o desperdício do privilégio de receber mais de 3000 horas de insolação por ano.

Muitos acreditam que as placas fotovoltaicas utilizadas no sistema são caras, por isso optam pela geração de energia tradicional. E é verdade! É só fazer uma rápida pesquisa na internet e constatar que energia solar é algo inacessível para a maior parte dos lares brasileiros. E por que? Simples, esse tipo de energia não tem e nunca teve um apoio substancial por parte das políticas públicas que regem nossa nação.

É fato que em Janeiro de 2013 a Norma Resolutiva 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entrou em vigor, estabelecendo regras para quem gera sua própria energia elétrica, permitindo trocar o excedente por créditos que dão descontos nas futuras contas. Já foi um começo, não podemos negar. E, segundo dados da própria Aneel, o número de sistemas de geração de energia alternativos saltou de 8 no primeiro trimestre de 2013 pra 725 no segundo trimestre de 2015. Desses 725, 681 são sistemas fotovoltáicos. Você pode achar que houve um enorme crescimento, mas, o que dizer desses números quando comparados com os da Alemanha, que tem mais de 1 milhão de sistemas de geração de energia solar instalados nas suas residências?

O brasileiro, segundo pesquisas, tem vontade de gerar sua própria energia através do sol, ainda mais nos dias atuais, com a conta de luz inflacionada como está. Mas para isso, muita coisa tem que ser feita. A compra dos equipamentos necessários para a implantação do sistema deveria ser facilitada com linhas de crédito de bancos oficiais, a juros baixos. A possibilidade de usar o FGTS para este fim também deveria existir, bem como a redução de impostos dos esquipamentos e da energia gerada.

Mas as dificuldades de implementação do sistema de energia solar não param por aqui. Depois que tudo é instalado na casa, cabem às distribuidoras, que administram todo o processo, fazerem a ligação na rede elétrica. O que parece simples é na verdade um procedimento lento e burocrático. Para se ter uma breve ideia, enquanto que em dois dias você instala os equipamentos na sua residência, é necessário aguardar quatro meses para estar conectado na rede elétrica.

Daí então enxergamos os “nós” que a energia solar teria que desatar para se firmar na matriz energética do Brasil. Infelizmente o setor de energia toma decisões sem a participação da sociedade. É uma democracia duvidosa, que prega a sustentabilidade mas não investe em energia renovável, barata e eficaz.

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

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