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A transposição do Rio São Francisco

por Ivana Jatoba

O que você sabe sobre a obra de transposição do Rio São Francisco? Você é contra ou a favor? No momento atual de crise hídrica em nosso país, este projeto se apresenta como a solução para acabar com a falta d’água que atinge todos os estados da região Nordeste do Brasil e uma área do norte de Minas Gerais, conhecida como o Polígono da Seca, beneficiando muitas famílias que convivem com o flagelo da estiagem prolongada a várias gerações. Será?

Transportar um rio significa, em termos bem simples, mudar o seu curso deslocando parte de suas águas para determinado fim. No caso da transposição do rio São Francisco, estima-se o desvio de 26,4m³/s de água (equivalente a 1,4% da vazão do rio) que abastecerá a população urbana de 390 municípios do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O projeto está dividido em dois eixos. O Eixo Norte terá 400 km de extensão e alimentará quatro rios, três sub-bacias e mais dois açudes. Já o Eixo Leste, com seus 220 km, abastecerá parte do sertão e agreste pernambucano e paraibano, até o Rio Paraíba.

Os que são contra esta obra sustentam os seguintes argumentos: é uma intervenção que vai impactar o ecossistema local, já que a integração das águas dos canais causará o desequilíbrio entre as espécies do rio; o projeto não será eficiente no combate à seca, pois contemplará uma área cinco vezes menor que o necessário, sem contar que mais da metade dos municípios que receberão as águas transportadas não tem infraestrutura para usá-la; haverá mais de 800 pessoas desabrigadas e perda de mais de dois mil empregos; só os grandes agricultores levarão vantagem, pois a irrigação de suas fazendas será beneficiada, em detrimento das famílias mais pobres.

Além disso, é uma obra cara para os cofres públicos e desnecessária, pois, orçada em mais de oito bilhões de reais e composta de 5 túneis, 42 aqueodutos e 27 barragens, poderia ser perfeitamente substituida pela construção de 900 mil cisternas, o que resolveria o problema na região por modestos 1,3 bilhões de reais. Ou mesmo se fosse retomada a execução das mais de 20 obras de distribuição dos 37 bilhões de m3 de água dos 70 mil açudes da região, ao invés de abandonadas como estão, já resolveria o problema da seca.

Já a ala dos favoráveis à transposição sustenta que a o projeto vai acabar de vez com a seca do Nordeste, pois a obra representará a distribuição justa das águas do rio São Francisco para todos que dependem delas; o rio passará também por um processo de revitalização, compensando grande parte do impacto ambiental gerado com o deslocamento das águas e melhorando sua navegação, o que contribuiria para o aquecimento da economia local com o transporte de grãos e mercadoria para exportação; o que desabriga famílias não seria a obra de transposição, e sim a seca e a miséria dela gerada.

Enfim, é importante que conheçamos um pouco sobre este grande projeto e suas implicações na natureza e na sociedade. Sendo o maior rio inteiramente nacional e o único que tem apelido (o Velho Chico), que saibamos formar opinião pela defesa deste precioso recurso hídrico que disponibiliza cerca de 70% de toda a água consumida na região Nordeste do país.

Por outro lado, a corrente contra as obras de transposição do Rio São Francisco afirma que a obra é nada mais que uma “transamazônica hídrica”, e que além de demasiado cara a transposição do rio não será capaz de suprir a necessidade da população da região uma vez que.

Fontes

E a polêmica em torno do tema reside no fato de que os que são contra Oficialmente, são 947.150 km2 do chamado Polígono das Secas, abrangendo os Estados de Maranhão, Piauí, Cea­rá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais

Ambos os eixos serão construídos para uma capacidade máxima de vazão de 99m³/s e 28m³/s respectivamente sendo que, trabalharão com uma vazão contínua de 16,4m³/s no eixo norte e 10m³/s no eixo leste.

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

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