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Conforto acústico

por Ivana Jatoba

Quando falamos de construções sustentáveis, pensamos logo em mínima geração de resíduos, conforto térmico, materiais ecologicamente corretos e redução de consumo de água e energia, mas pouco nos lembramos do conforto acústico do imóvel. Você tem conforto acústico na sua residência? Ou você ouve tudo que se passa na casa do vizinho? Ou é o vizinho quem reclama freqüentemente dos ruídos em sua casa?

Problemas relacionados ao barulho na saúde do ser humano são inúmeros, e vêm crescendo ainda mais com a expansão imobiliária dos grandes centros urbanos. Estresse, distúrbios do sono, irritabilidade e até depressão são algumas doenças que podem afetar pessoas expostas à poluição sonora constante, sejam estas provenientes do trânsito, do ambiente de trabalho ou mesmo de sua própria residência. Depois de um dia cansativo e barulhento, ao chegar em casa e não ter silêncio para descansar e repor as energias é uma situação realmente insustentável, em todos os aspectos.

As causas deste problema vêm com as transformações dos padrões de construção ao longo dos anos. Basta visitarmos prédios, casa e igrejas antigos para percebermos como eram espessas as paredes e as lajes. Daí, com o aprimoramento das técnicas construtivas, materiais mais esbeltos, mais leves, mais baratos e não menos resistentes foram tomando conta das especificações dos projetos e dos canteiros. As paredes e lajes tornaram-se mais delgados, as portas, janelas e batentes, mais leves, e os lucros, mais altos. Contudo, o conforto acústico das edificações foi negligenciado, e o resultado disso é o que vivemos, ou melhor, o que ouvimos em casa.

Felizmente, providências para diminuir este desconforto acústico nas edificações estão sendo tomadas. Desde 2013 a norma da ABNT que avalia o desempenho acústico das construções, NBR 15.575 – Norma de Desempenho – está em vigor desde 2013, a fim de orientar as construtoras a seguirem parâmetros de construção que garantam o conforto acústico do usuário. Espessura mínima de lajes e paredes, tipos de revestimento e tipos de esquadrias são alguns dos muitos itens que a Norma cita para serem seguidos por quem se importa em construir para o bem estar de quem vai ocupar o imóvel.

A norma não tem efeito de lei, mas sua finalidade na construção civil é de extrema importância para acabar com a infeliz cultura do barulho que tem o nosso país. Afinal, qual o conceito de sustentabilidade se não o bem estar e conforto de toda a sociedade? Não dá mais para “dormir com um barulho desses”, concordam?

 

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Ivana Jatobá escreve às quintas aqui no Universo Jatobá.

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