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Bloco de fosfogesso

por Ivana Jatoba

Você já ouviu falar em fosfogesso? Eu nunca tinha ouvido falar nada a respeito, mas, ao fazer pesquisas sobre outro tópico, por acaso, acabei me deparando com este tema, cujo teor é bastante interessante quando o foco é construir cuidando do meio ambiente. Saiba você que a utilização do fosfogesso, um subproduto derivado da produção de ácido fosfórico (insumo utilizado na fabricação de fertilizantes), pode ser de grande serventia na construção civil e ainda contribuir para a sustentabilidade do nosso planeta. De que forma?

Pesquisas desenvolvidas na USP (Universidade de São Paulo) demonstraram que o fosfogesso pode ser utilizado na fabricação de blocos cerâmicos de alta resistência, substituindo o bloco cerâmico tradicional e o bloco de concreto. E o bloco fabricado do fosfogesso tem características que resultam numa economia significativa no canteiro de obra. Por ter alta resistência, eles são estruturais e por isso dispensam o uso de vigas e pilares na edificação. Além disso, sua superfície é lisa, não necessitando de argamassa de assentamento e de reboco. E ainda são modulares, o que facilita ainda mais o encaixe para formar a alvenaria, evitando sujeira e desperdício.

Contudo, o bloco de fosfogesso não é um insumo inovador apenas por suas peculiaridades econômicas. A sua principal matéria prima é atualmente um grande passivo ambiental, pois é descartado como lixo resultante da fabricação de fertilizantes, impondo o risco de poluição atmosférica e do subsolo do local onde estiver armazenado. Cada tonelada de ácido fosfórico gera em torno de 05 (cinco) toneladas de fosfogesso. É muito fosfogesso estocado, e encontrar uma destinação tão providencial num campo tão carente de soluções sustentáveis como o da construção civil é uma notícia muito boa.

Mas apesar de tantas vantagens que o bloco de fosfogesso apresenta, este ainda não é encontrado nas casas de materiais de construção. E os motivos para isso é que existe suspeita de que o fosfogesso apresenta índices de radioatividade considerados altos por alguns pesquisadores para ser usado como insumo nas obras.

Como se trata de uma descoberta ainda recente, em fase de estudo e carente de legislação que defina numericamente o conceito de material radioativo nas construções, é provável que as pesquisas se aprimorem para estabelecerem procedimentos que levem ao mercado um bloco inovador, econômico, inofensivo à saúde dos seres vivos e sustentável. Fique atento!

 

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Ivana Jatobá escreve às quintas aqui no Universo Jatobá.

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