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Asfalto permeável

por Ivana Jatoba

Hoje pela manhã comentei com meu marido que não sabia ao certo sobre o que eu escreveria para esta coluna. Ele então me sugeriu que eu falasse sobre os asfaltos “respiráveis”. Antes mesmo de fazer as pesquisas, já tinha gostado da ideia, e conforme ia me informando e me familiarizando com o tema, confirmei o que imaginava: é uma boa notícia para quem vive nos grandes centros urbanos e sente na pele os malefícios ambientais que o asfalto comum provoca.

Este tipo de asfalto, também conhecido como asfalto permeável, foi criado por estudantes da USP e tem como característica básica absorver a água da chuva, diminuindo assim a área impermeável das metrópoles. Com isso, quem ganha é o meio ambiente e, claro, a sociedade.

A primeira camada do asfalto permeável é feita de pequenas pedras ligadas ao asfalto poroso, cuja constituição permite a absorção da água pluvial. A segunda camada, com cerca de 35 centímetros, é constituída de pedras maiores, cuja finalidade é dar espaço para o armazenamento desta água. E a última camada nada mais é que uma lona de plástico que fica em contato com o solo e retém por um tempo a água absorvida, antes de esta ir para os rios e córregos.

Absorvendo a água da chuva, este asfalto evita enchentes e alagamentos. Com isso, alimenta os lençóis freáticos, impede a poluição dos rios que cortam a cidade (as primeiras chuvas ao cair no asfalto comum, transportam muitas impurezas para os corpos d’água), auxilia na redução de ilhas de calor (o excesso de asfalto comum, por ser impermeável, aumenta a temperatura e diminui a umidade do ar) e ajuda na manutenção das vazões dos rios na época de seca. Quantas vantagens, não?

As desvantagens ficam por conta do valor, de 20 a 25% mais alto que o asfalto comum, e da falta de resistência para tráfegos pesados. Mas creio que esses fatores não devem servir de motivo para a não utilização do asfalto permeável. Basta aplicá-los em locais de tráfego leve, como estacionamentos, vias de condomínio e outros lugares por onde não passam ônibus e caminhões. Em minha opinião, mesmo mais caro, o fato de não ter que arcar com os efeitos de uma enchente e alagamentos compensa o custo. Parabéns para os pesquisadores.

 

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Ivana Jatobá escreve às quintas aqui no Universo Jatobá.

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