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Vacina contra dengue não é indicada para gestantes

por Universo Jatoba

Antes mesmo de 2015 terminar, a saúde brasileira recebeu uma notícia muito positiva que pode transformar a maneira como lidamos com uma doença que atingiu mais de 1,59 milhão de pessoas só no ano passado: a ANVISA aprovou o registro da primeira vacina contra a dengue no país.

A chamada Dengvaxia foi produzida pela empresa francesa Sanofi Pasteur e aprovada primeiramente no México e nas Filipinas. Ela é indicada para pacientes entre 9 e 45 anos de idade, exceto gestantes, protege contra os quatro tipos de vírus da dengue e deve imunizar, de acordo com a empresa, 70% dos pacientes desde a primeira dose. A forma mais indicada de aplicação do imunizante ocorre em três doses, com intervalos de seis meses entre cada uma delas, para garantir maior durabilidade de proteção.

A vantagem é que, ainda que exista uma faixa etária bem delimitada para aplicação da vacina, a redução na contaminação se estende de forma indireta para toda a população. Isso por que o mosquito Aedes Aegypti só começa a transmitir o vírus da dengue depois de picar uma pessoa que já estava contaminada, ou seja, se tivermos um número menor de pessoas contraindo a doença, os mosquitos continuam picando, mas deixam de carregar o vírus e infectar mais gente.

Apesar de ter sua eficácia considerada um pouco baixa – já que garante 65,6% de proteção geral, enquanto as vacinas contra a febre amarela e o sarampo protegem em 90% e 98% dos casos – a vacina contra a dengue é indicada principalmente para pessoas que já contraíram a doença e continuam sujeitos a contaminações por outros sorotipos, ou seja, tipos mais graves da doença, como por exemplo a dengue hemorrágica. Vale ressaltar que a vacina não protege contra os vírus Zika e Chikungunya.

 

Distribuição

A expectativa é que a vacina seja disponibilizada ainda no primeiro semestre de 2016 para a rede particular de laboratórios. O governo ainda discute a possibilidade de incluir a vacina no calendário de vacinação do SUS, levando em consideração o custo, a efetividade e os impactos epidemiológico e orçamentário para o país.

O Instituto Butantan, em parceria com a empresa norte-americana NIH (National Institute os Health), está desenvolvendo uma outra vacina contra a dengue. O estudo já está em fase final e a ANVISA já autorizou testes em humanos.

A má notícia é que o produto tem em sua produção o vírus da febre amarela vivo, porém, enfraquecido, combinado com os quatro tipos do vírus da dengue, que estimulam o sistema imunológico, mas sem ter capacidade de provocar a doença. Assim como todo imunizante de vírus atenuado– a exemplo do que protege contra a rubéola, sarampo ou caxumba – a vacina contra dengue não é indicada para gestantes.

 

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

Dr. Thomas Moscovitz escreve às segundas-feiras aqui no Universo Jatobá.

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