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Amamentar para empoderar – Semana Mundial do aleitamento materno

por Dr. Thomas Moscovitz

Passamos pela Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM).

Esta iniciativa em prol da sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança, foi criada em 1992 e faz parte de um movimento global que envolve cerca de 120 países.

Desde a sua criação em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem promovendo ações voltadas à saúde da criança, por existir uma grande preocupação envolvendo a mortalidade infantil. Em 1991, foi criada a Aliança Mundial Pró-Amamentação – WABA e, a partir desta organização nasceu, um ano depois, a Semana Mundial do Aleitamento Materno.

Um estudo publicado recentemente na revista cientifica Lancet da Grã-Bretanha, mostra que o aleitamento materno poderia salvar a vida de 823.000 crianças e adicionar cerca de US$ 302 bilhões na economia mundial todos os anos.

Todos sabem a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças a curto e longo prazo, além dos benefícios para a saúde das mães. Porém, apenas 40% das crianças abaixo de seis meses são amamentadas exclusivamente no peito. Isso ocorre devido às diversas barreiras que as mulheres enfrentam para amamentar:

– Informações incorretas por parte dos profissionais de saúde;

– Falta de apoio a amamentação no circulo familiar;

– Difícil acesso ao aconselhamento qualificado para a amamentação;

– Promoções agressivas de produtos para lactantes e crianças de primeira infância;

– Obrigação em voltar ao trabalho logo após o nascimento do bebê;

– Preconceito

Todas estas implicações tornam o aleitamento materno exclusivo durante seis meses (sem líquidos e alimentos) praticamente impossível para muitas mulheres – além da continuação da amamentação por dois anos ou mais, que é o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para este ano, a SMAM se concentra nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que governos do mundo inteiro se comprometeram a alcançar até 2030, nos quais o aleitamento materno é contemplado direta ou indiretamente. Os “ODS” foram criados a partir dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que visa cobrir questões voltadas à ecologia, economia e equidade. A pretensão dos novos ODS é combater as causas da pobreza e oferecer uma visão de desenvolvimento que funcione para todos. Entre estes objetivos destacam-se:

– Educação de qualidade (amamentação e a alimentação complementar de boa qualidade contribuem significativamente para o desenvolvimento mental e cognitivo e, portanto, ajudam no aprendizado);

– Enfrentar a Pobreza (o aleitamento materno é um alimento natural e barato para os bebês e crianças da primeira idade. É acessível para todos e não existe um custo para o orçamento familiar em oposição à alimentação artificial);

– Consumo e Produção responsável (a amamentação é uma fonte de nutrição e sustento saudável, viável, não poluente e não predatória de recursos naturais).

As demais são: Fome Zero, Boa Saúde e Bem Estar, Igualdade de Gênero, Água Potável e Saneamento, Segurança e Energia Limpa, Trabalho Decente e Crescimento Econômico, Redução das Desigualdades, Ações Contra as Mudanças Climáticas, etc.

Incentivar o aleitamento nada mais é que incentivar a construção de um mundo mais sustentável e justo. É uma prática que deve ser apoiada e, acima de tudo, protegida.

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

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