2 . TINTAS ECOLÓGICAS

Tintas que absorve poluição

por Ivana Jatoba

Uma tinta que absorve a poluição do ar. É esta a grande novidade que está dando o que falar nas grandes metrópoles do planeta, especialmente em Roma, onde está sendo testada. Trata-se de uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas de uma universidade italiana, baseada no princípio ativo fotocatalítico, que, com a ação da luz, capacita a tinta a “engolir” a poluição do ar.

Formada por partículas de dióxido de titânio, um pigmento que age como catalisador da absorção da luz do sol, a tinta, quando aplicada em superfícies externas de edificações, provoca o aquecimento dos elétrons presentes na sua composição, liberando radicais livres, que, por sua vez, quebram poluentes como o óxido de nitrogênio, convertendo-os em nitrato de cálcio e água, substâncias não poluentes.

Duas grandes cidades são exemplos de como as tintas absorvedoras de poluição atmosférica estão beneficiando a população com suas propriedades. Em Roma, o túnel Umberto I, após pintado com a tinta “mágica”, como alguns já estão chamando, continua branco, mesmo depois de anos recebendo dióxido de carbono dos veículos. Segundo relatos, três semanas antes da pintura do túnel, foi registrada uma certa quantidade de gases poluentes no seu interior. Depois de pintado, constatou-se que esta quantidade foi reduzida em 51%.

Em Manila, capital das Filipinas, muitos moradores já sentem o ar mais puro no entorno das suas residências pintadas com as referidas tintas. Segundo estimativas, cada 0,1 m2 de superfície pintada captura a mesma quantidade de poluentes de uma árvore adulta.

Boa novidade, não acha? Porém, não podemos deixar de levar em conta que o titânio, apesar de ser o nono elemento químico mais abundante do planeta, não é encontrado na forma de metal na natureza. Assim, para se chegar ao dióxido de titânio que compõe a tinta, várias reações químicas são necessárias, o que consome grande quantidade de energia.

Assim, percebemos que as tintas “engolidoras” de poluição atmosférica são muito bem vidas, mas devem ter seu processo produtivo aprimorado para que seja de fato um material sustentável. É eficiente para edificações já existentes em grandes centros urbanos poluídos, porém a boa e velha técnica de plantar árvores e adotar telhados e paredes verdes continua sendo recomendada para proporcionar bem-estar à população. Italianos, Filipinos e toda a população mundial recebem de braços abertos atitudes sustentáveis como esta.

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Ivana Jatobá escreve às quintas aqui no Universo Jatobá.

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