universo-jatoba-madeiraplastico1

Madeira de plástico

por Ivana Jatoba

A primeira vez que eu ouvi falar sobre a madeira de plástico, confesso que me manifestei contra a sua comercialização. Pensei: é muito melhor que o mercado da construção civil consuma madeira de reflorestamento e não estimule a produção de produtos que usem combustíveis não renováveis na sua composição. E eu sei que este pensamento acompanha todos que estão engajados no crescimento da sustentabilidade no setor.

Contudo, o tempo me fez ver que eu fiz um julgamento equivocado do material em questão. E, felizmente, fui surpreendida positivamente com as suas características. A madeira de plástico é um revestimento muito semelhante à madeira tradicional, só que é fabricada a partir da reciclagem do plástico tipo polietileno de alta densidade recuperado de resíduos (HDPE – High-density PolyEthylene), por isso é conhecida como madeira plástica reciclada (RPL – Recycled Plastic Lumber). O plástico é processado e pigmentado para se transformar num novo material a fim de substituir a madeira natural.

Apesar de ser pouco divulgada, a madeira de plástico possui muitas vantagens competitivas: é resistente às intempéries, é produzida em várias cores e é versátil na sua utilidade (é ofertada em forma de batentes de portas, lixeiras, mourões para cerca, piers, decks, pallets, móveis de uso externo, etc.). Além de tudo isso, esse material é impermeável, pode ser pregado, parafusado, rebitado ou colado, e é imune a pragas, por isso não propicia o aparecimento de fungos e mofo.

Mas a madeira de plástico, como todo insumo da construção, também apresenta limitações. Uma delas reside nos seus altos custos iniciais, decorrentes do processo de separação do HDPE no meio de tantos outros plásticos e do preço dos aditivos usados para melhorar as propriedades do RPL. Contudo, os gastos ao longo do ciclo de vida (inclua aí materiais, instalação, manutenção e eliminação) da madeira de plástico são menores que os da madeira tradicional. Outros inconvenientes, vale citar, estão no fato da madeira de plástico ser considerada escorregadia pelos usuários e não poder ser usada para fins estruturais, como a madeira natural.

Embora ainda tímida, a comercialização da madeira de plástico vem crescendo no mercado. Existem fabricantes no Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Se você se interessou, faça uma breve pesquisa na internet e entre em contato com um dos vários representantes comerciais espalhados pelas capitais brasileiras. Você estará contribuindo para a redução do desmatamento ilegal e do volume de lixo nos aterros sanitários. Aderir à madeira de plástico é ser sustentável.

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Fique Atualizado!

Insira aqui o seu email para receber gratuitamente as atualizações do Universo Jatobá!

Quero receber!