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Canteiro de obras sustentável

por Ivana Jatoba

A situação é clássica: o terreno baldio perto da sua casa foi adquirido por uma construtora e nele será erguido um edifício residencial de vários pavimentos. Você pensa: acabou a minha paz e meu ar puro. Seu raciocínio tem fundamento, afinal, quando se fala em construção, lembramos de barulho, poeira, gritaria, desorganização e sujeira, concorda? Não é a toa que as placas sinalizadoras de qualquer obra sempre dizem “desculpe o incômodo” ou “desculpe os transtornos”. Mas este cenário pode mudar para melhor, e para tal basta que se adote um canteiro sustentável.

Um canteiro de obras sustentável é pensado e implantado para combater desperdícios de materiais e recursos naturais e reduzir a geração de ruídos, poluição do ar, acidentes de trabalho e transtornos no trânsito local decorrentes das atividades constutivas, ou seja, todos os impactos negativos que afetam trabalhadores, pedestres, visitantes e moradores do entorno. E para que isso ocorra, algumas medidas são tomadas desde a fase de projeto da edificação até a fase da construção em si.

Já na etapa de especificações dos materiais, por exemplo, pode-se pensar num revestimento em que as peças caibam de modo exato em cada vão, sem precisar de arremates, tanto no piso quanto na perede. Assim, evita-se aquele barulho irritante e bem conhecido das serras elétricas que cortam cerâmicas, madeira, mármore, granito,etc. (as famosas “makitas”) e reduz-se o desperdício e geração de resíduos. O mesmo vale para o aço usado nas peças estruturais. O ruído da serra ao cortar o aço é também ensurdecedor e, se este trabalho puder ser feito num espaço com proteção acústica ou mesmo longe do canteiro, o ambiente de trabalho ficará mais agradável e produtivo.

Outra providência para assegurar a sustentabilidade no canteiro está no desenvolvimento de uma boa gestão de resíduos. Deve-se planejar e executar um processo adequado de triagem, coleta seletiva, e reciclagem, através do armazenamento adequado e reutilização na própria obra do entulho gerado.

A disposição e “lay-out” do canteiro também são itens muito importante neste processo. Não há nada pior do que trabalhar num ambiente sujo, desorganizado e de difícil circulação. Por isso os insumos a serem utilizados devem ser armazenados de modo a não se perder tempo na hora de pegá-lo no almoxarifado. E a logística deve ser pensada para que a movimentação de pessoas e materiais não atrapalhe as atividades. Esta logística deve ser aplicada também no entorno da obra, para minimizar os engarrafamentos no trânsito causados por caminhões. Daí deve-se fazer a programação de entrega de insumos em horários que não sejam de pico.

Sinalização adequada, equipamentos de proteção individual e coletiva, treinamento dos operários, redução do consumo de água e energia e combate ao improviso e à ilegalidade, através da escolha de fornecedores que não infringem as leis nem agridem o meio ambiente também são medidas que contribuem para a sustentabilidade não só da obra, mas também de toda a cadeia produtiva do setor. E você pode fazer a sua parte, aplicando tais conceitos na sua construção ou reforma. O que vale é construir sem transgredir.

Ivana Jatobá é Engenheira Civil graduada na Universidade Católica do Salvador, especializada em Gerenciamento da Construção Civil pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia e Mestre em Gerenciamento de Engenharia Ambiental pela University of Technology, Sydney, Austrália. Atua como consultora em implantação de sistema de qualidade ISO 9001 e Meio Ambiente ISO 14000 em canteiros de obras.

Ivana Jatobá escreve às quintas aqui no Universo Jatobá.

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