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Estude, então previna as demências!

por Giana Ramos

Você gosta de fazer tricô? Crochê? Bordado? Bricolagem? Pintura? Saiba que pessoas que realizam essas atividades estão fabricando objetos lindos e ganhando mais saúde mental. Foi o que revelou a pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP. Idosos que realizam atividades manuais protegem mais seu cérebro contra as doenças mentais e, consequentemente, vivem melhor.

Vamos retomar a lista de cuidados com a saúde. É importante tomar os remédios sempre no horário certo, na dose correta, orientado pelo médico e farmacêutico; exames de rotina são imprescindíveis; exercícios físicos devem fazer parte da nossa rotina, mas para garantir a saúde mental, espiritual e corporal, é preciso adotar outros estímulos, conhecidos como atividades de cognição, essas ações ativam áreas específicas do cérebro, que não são estimuladas durante o cotidiano, contribuindo para aumentar a circulação de informações entre os neurônios. Nesse quesito, atividades manuais e jogos de tabuleiro, como xadrez, dama, cartas, dominó, ou mesmo a leitura são ótimos aliados.

O estudo revelou também que idosos com menor poder aquisitivo e baixa escolaridade apresentam sete vezes mais risco de demência que os demais idosos não expostos a esses fatores. Isso porque, em sua maioria, não têm a oportunidade de realizar atividades cognitivas sofisticadas, como ir ao teatro, ao concerto ou ler livros extensos. Porém, após o acompanhamento dos pesquisadores durante dois anos, há um grupo com baixas condições socioeconômicas em que foi encontrado menor declínio cognitivo nos participantes que realizavam atividades manuais simples, ou seja, é possível prevenir ou retardar o aparecimento de demências sem gastar dinheiro.

Além da proteção cerebral, trabalhar com artesanato pode gerar uma renda extra. Existem diversos grupos que fabricam objetos e vendem em feiras, exposições e bazares. Essa prática auxilia no desenvolvimento social, pois, como dizia Paulo Freire, somos seres sociais com capacidade de aprender. Para o idoso, a habilidade adquirida com a fabricação de artesanatos possibilita novas conexões sinápticas garantindo mais anos de saúde mental, livre de doenças como o mal de Alzheimer.

É essencial continuar a exercitar a mente após os 60 anos. Sofro com a minha avó que insiste em não fazer isso, por preguiça, porque sente tonturas ou não consegue ler direito, ela é uma pessoa com baixa escolaridade o que acentua a necessidade de estimular o cérebro. Como alternativa, alteramos nossa rotina. Em vez de ir ao mercado mensalmente, estamos fazendo compras semanais. Assim, ela é obrigada a fazer a lista do que falta, separar o dinheiro, ir até o mercado, avaliar qual os produtos com a melhor relação preço/qualidade. Também espalho revistas sobre Saúde e Receitas Culinárias, seus assuntos favoritos, por toda a casa com o intuito de despertar o prazer pela leitura. Com pequenas atitudes, estou conseguindo aumentar o uso do cérebro da minha vó, e já estamos colhendo resultados, até palavras em inglês ela tem falado.

Se você ou seu idoso já apresenta alterações de memória, calma! A maioria desses problemas já tem tratamento. Procure um neurologista, faça exames para diagnosticar a ocorrência e, em seguida, compre linha e agulhas, ou tintas e pinceis e comece fazer arte!

Dra. Giana Ramos é graduada em fisioterapia (São Camilo – SP), Especialista em ortopedia e traumatologia (Santa Casa – SP), Especialista em Docência no ensino superior (SENAC – SP). Formação em Reeducação Postural Global e Auriculoterapia – (FENAFITO – SP). Professora do curso de formação de cuidadores de idosos (SENAC – SP), empresária do Centro de Atendimento Especializado (CAESP SAÚDE), gestora do programa de qualidade de vida na terceira idade da Vila Maria Zélia – Belenzinho – SP.

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