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É carnaval, deixa a camisinha entrar!

por Giana Ramos

Falar de sexualidade na terceira idade causa surpresa em muitas pessoas, mas uma pesquisa recente mostrou que, nessa faixa etária, 50% dos idosos casados praticam sexo pelo menos a cada 15 dias. Nós esquecemos que, apesar da idade, os idosos continuam amando, tendo desejos e fantasias como qualquer pessoa jovem, por isso vamos parar de preconceito e estimular a sexualidade, pois ela é benéfica para todos os adultos.

Não podemos esquecer que é importante estar em dia com os exames, pois doenças do coração ou problemas pulmonares podem se manifestar durante o sexo causando um prejuízo à saúde; durante um pós-operatório imediato atividades intensas devem ser evitadas, mas tirando essas ressalvas não há contraindicações. O corpo do idoso apresenta algumas limitações, como: dores, incontinências, hipertensão descontrolada, problemas de próstata e diminuição de força/resistência muscular essas alterações diminuem o desejo sexual. A mesma situação pode ocorrer com o uso de medicamentos comuns ao envelhecimento, claro que todos esses detalhes podem ser solucionados falando com um geriatra.

Na terceira idade o importante não é a frequência do ato sexual e também não existe a obrigação do orgasmo. A relação torna-se mais prazerosa para homens e mulheres, pois se baseia no carinho e no amor. Porém, existe um preconceito do próprio idoso quanto a sexualidade, pois perde o sentido de reprodução. De acordo com nossa própria herança EPIGENÉTICA, características de nossas células que trazemos de nossos ancestrais, transamos mais para reproduzir do que pelo prazer, claro que já estamos, com o passar das evoluções, mudando essas informações.

Vamos voltar um pouco na história, a mulher idosa de hoje nasceu na década de 50 e nessa época era muito reprimida. Essa época era conhecida como anos dourados, a televisão começava a fazer suas primeiras transmissões, o mundo vivia o período da Guerra Fria, a mulher estava descobrindo sua feminilidade e sexualidade, as roupas mostravam muito esse novo sentimento, pois os vestidos e calças eram desenhadas com cinturas bem delimitadas valorizando a silhueta. Porém, conversar sobre a sexualidade ainda era tabu, sentir excitação sexual era visto como pecado, a mulher ainda tinha o papel de reprodutora e educadora. O homem daquela época era ensinado a viver de uma forma mais conservadora, então, as descobertas do sexo não eram reveladas a ninguém na maioria das vezes.

Diante desse assunto, resolvi fazer entrevistar minhas alunas e pacientes com mais de 60 anos para saber se elas têm a vida sexual ativa ou não. Gostaria de pontuar duas situações: a primeira é que muitas delas ainda dão desculpas para os filhos quando ficam um pouco mais no quarto. Se houver barulhos durante o ato sexual, falta a coragem pra dizer aos filhos que, mesmo na terceira idade, é possível manter a vida sexual ativa, o que piora a popularização do assunto. O outro ponto é que para uma boa parte das idosas, o sexo se transformou em companheirismo, então, estar perto, um toque especial ou beijos e abraços já satisfazem ambos.

É pessoal, vamos parar com esses pré-conceitos e entender que os idosos não voltaram a ser criança eles têm muita experiência, tem todo o direito de pular o carnaval, e merecem nosso respeito e admiração!

Dra. Giana Ramos é graduada em fisioterapia (São Camilo – SP), Especialista em ortopedia e traumatologia (Santa Casa – SP), Especialista em Docência no ensino superior (SENAC – SP). Formação em Reeducação Postural Global e Auriculoterapia – (FENAFITO – SP). Professora do curso de formação de cuidadores de idosos (SENAC – SP), empresária do Centro de Atendimento Especializado (CAESP SAÚDE), gestora do programa de qualidade de vida na terceira idade da Vila Maria Zélia – Belenzinho – SP.

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