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Casal dá volta ao mundo em busca de motivação

por Universo Jatoba

Você sabe o que te move, te inspira e te motiva? Hoje o Universo Jatobá traz uma entrevista especial com um casal que foi em busca desta resposta. A apresentadora Luah Galvão e o fotógrafo Danilo España são os protagonistas do projeto Walk and Talk (Andar e Falar). Em fevereiro de 2011, a dupla saiu pelo mundo em busca de um significado para suas vidas. “Andando e falando”, eles conheceram diversas culturas, raças e credos pelo mundo em uma jornada de mais de dois anos. De volta em 2013, com a bagagem cheia de histórias, eles seguem coletando atitudes inspiradoras em diversas regiões do Brasil.

Confira a entrevista:

De onde veio a ideia do projeto?

Luah Galvão: Nós dois tínhamos uma grande viagem em nossos planos de vida, mas só transformamos esse sonho em um projeto depois que nos conhecemos. Por acaso, fazíamos um seminário de filosofia semanalmente com o mesmo professor, mas em dias diferentes. Um belo dia, nossas turmas foram unidas e nos conhecemos. Alguns capítulos adiante, descobrimos esse sonho comum. Na época, eu estava esgotada com o meu trabalho, meu copo estava cheio. Precisava urgentemente me reciclar, arejar, oxigenar. O Danilo, na mesma época, queria se aprofundar na fotografia, arte que sempre fez como hobby, mas nunca tinha tempo pra ir mais adiante. Nada melhor do que uma grande viagem pra montar um bom portifólio e, no meu caso, a ideia era reciclar corpo e mente.

Descobrimos que, mais do que viajar, queríamos nos dedicar a algo novo, algo que nos desse a chance de olharmos o mundo além do olhar como turistas. Decidimos trazer como objeto central da viagem parte da filosofia que nos uniu. Em nossas aulas com o professor Viktor de Salis, éramos sempre instigados sobre a relação entre desenvolvimento de talentos e motivação. Esse foi o “pacote” que nos inspirou para virarmos a mesa.

De repente, nos deparamos com a vida de milhares de pessoas que cruzaram nosso caminho nos ensinando sobre sua diversidade e nos mostrando outros conceitos de inspiração e propósito, de movimento e paixão. Nossa visão se expandiu, assim como o nosso foco, e passamos a abraçar histórias simples e raras, que mudaram nosso ponto de vista em relação à vida e ao mundo. Hoje, os depoimentos, sentimentos, vivências e experiências mal cabem em nossas mentes e corações.

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Qual era o objetivo de vocês?

Danilo España: Nosso objetivo era ir fundo no tema “motivação”. Levamos conosco a seguinte indagação: o que faz as pessoas acordarem todos os dias e seguirem em frente? Estudávamos há anos a civilização helênica (Grécia Antiga, séculos XV a V a.C., época de Platão, Sócrates, Aristóteles…). Nesta época, o desenvolvimento de talentos era a base da educação, além de ocupar papel importante na formação do cidadão. Eles acreditavam que aqueles que encontrassem seus talentos e os desenvolvessem às máximas seriam mais motivados, mais entusiasmados pela vida e, então, mais saudáveis.

Mas, será que nos dias de hoje, as pessoas ainda consideravam o desenvolvimento de talentos algo tão importante e motivador? Além dessa correlação, acabamos descobrindo também outras fontes de motivação, pois a história e as experiências de cada um são diferentes. Pessoas atribuem valores diferentes ao que realmente importa na vida.

Como foi a preparação para este desafio?

Luah Galvão: Passamos seis meses fazendo o planejamento. O lado bom de planejar com calma e pensar em todos os detalhes é que, quando resolvemos estender a viagem de sete meses para mais de dois anos, estávamos com tudo resolvido. Como sou atriz e apresentadora, sempre tive uma agenda mais flexível, então, nos primeiros meses fiquei mais focada no projeto, mas, nos dois últimos meses, ele pediu demissão e finalizamos. Fora a febre tifóide que o Danilo pegou na Índia, nosso maior susto e obstáculo da viagem, as outras áreas foram super bem cobertas pela organização antes da partida.

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Quantos países visitaram?

Danilo España: Vistamos 28 países nos 5 continentes.

Como foi a seleção dos lugares percorridos?

Danilo España: Tivemos o apoio do Prof. Dr. Viktor D. Salis para montar a rota. Além de seguirmos o verão, o que fez com que o peso de nossas mochilas fosse reduzido razoavelmente, também buscamos por locais com os maiores contrastes culturais, religiosos, geográficos e econômicos. Queríamos descobrir como esses fatores influenciariam nas respostas.

Viajaram pelo Brasil também?

Danilo España: Após a volta ao mundo, estamos fazendo uma série de viagens pelo país coletando mais histórias que serão compartilhadas em breve. Outras oportunidades surgem quando nos deslocamos para dar palestras ou workshops. Você pode ouvir uma história que vai mudar sua vida de alguém que vive em uma pequena ilha da Indonésia ou do seu vizinho.

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Qual região foi mais acolhedora?

Luah Galvão: Até agora todas as regiões foram acolhedoras, acho que o Walk and Talk é um projeto que facilmente engaja pessoas. Temos um carinho especial por São Luís do Maranhão, Londrina, Rio de Janeiro e pela comunidade de São Francisco de Assis, em Feira de Santana, na Bahia.

Onde se acomodavam?

Danilo España: Em guest-house, uma espécie de hotel, porém como serviços mais limitados. Mas também optamos pelo bed and breakfast, em que pessoas abrem suas casas e oferecem quarto e café da manhã por um preço geralmente bem econômico, pousadas e, em último caso, pequenos hotéis. Recorremos também à casa de amigos, parentes e pessoas que conhecemos na própria viagem.

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São casados?

Luah Galvão: Temos uma boa história para responder essa pergunta. Desde o início do Walk and Talk, viajávamos com alianças “de compromisso”. Quase no final da viagem, em nossa passagem pela Guatemala, acabamos dando, em situações diferentes, nossas alianças como gesto de gratidão ao receber ajuda de pessoas super simples.

Ao chegar aos Estados Unidos, o Dan resolveu comprar um par de alianças “oficiais” e esperamos um dia especial nos escolher para que as trocássemos. No início de 2013, estávamos em Tulum, no México, e fomos a um parque de aventura, em plena selva Maia. O dia estava turquesa, sem uma nuvem no céu, e ao fundo o mar do caribe; cenário perfeito para uma união espiritual. Resolvemos trocar as alianças nos ares descendo uma grade tirolesa. Foi super emocionante, cheguei do outro lado com a perna “bamba” e com um sorriso de ponta a ponta. Assim nos tornamos espiritualmente “casadinhos”.

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Como essas histórias trouxeram motivação para suas vidas?

Danilo España: As respostas que obtivemos foram surpreendentes. Cada dia da viagem foi se tornando mais essencial para nossa motivação continuar em alta. Foi maravilhoso sentir na pele o poder que as histórias reais têm de nos inspirar. A maioria das respostas para a pergunta “o que te motiva?” vieram através das histórias de vida de cada um. Essa riqueza de detalhes nos ensinou mais do que se apenas ouvíssemos respostas diretas como “o que me motiva é o amor” ou “o que me motiva é a família”. Ninguém ao longo desses anos nos disse que o dinheiro ou os bens materiais são a maior fonte de motivação. Isso talvez mostre uma mudança de foco nos dias de hoje.

Luah Galvão: Andar e falar passou a ser mais do que um simples estudo sobre motivação, passou a ser uma nova maneira de viver e encarar a vida, uma maneira que encontramos de dividir aquilo que tem força para inspirar e mover esse maravilhoso mundo em que vivemos.

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Qual história mais os impressionou? Dá para escolher uma?

Luah Galvão: A Cerimônia das Almas, no Laos.

Para saber mais sobre esta experiência, clique aqui e leia o texto no site do projeto.

Como vocês descrevem a experiência?

Luah Galvão: O mundo está, de fato, se conectando minuto a minuto e estamos passando por um momento especialíssimo de compartilhamento de ideias, tecnologias, ações e, principalmente, de experiências de vida. Hoje, podemos aprender com a história de alguém que está numa vila do Laos ou numa metrópole da África, com um adolescente da Nova Zelândia ou com uma gostosa avó guatemalteca.

Todo mundo tem uma história e todas as histórias são carregadas de ensinamento e inspiração. Todas as ações humanas imbuídas de dignidade e amor podem ser compartilhadas, pois aprendemos que podem transformar. Com todo esse movimento gracioso e evolutivo, não tivemos como nos manter a parte. Hoje buscamos cada vez mais compartilhar aquilo que é bom, nobre e belo, pode ser ações, pensamentos, histórias reais ou reflexões.

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Quais os planos de vocês daqui para frente?

Danilo España: O Projeto continua, a “Volta o mundo em busca do que move, inspira e motiva” foi apenas a primeira aventura do Walk and Talk. Recentemente, fizemos um segundo projeto andando 4 mil km pela Argentina. Continuaremos a “andar e falar” com as pessoas. Levar reflexão sobre qual é o nosso papel no mundo ou o nosso propósito de vida estimula as pessoas a buscarem por sua própria evolução e desenvolvimento pessoal. Nossa missão é trazer essas questões à tona através de histórias reais.

Para saber tudo sobre o projeto, clique aqui. 

Para mais informações sobre as palestras e workshops, clique aqui. 

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