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Aprendendo com a dor

por Debora Ganc

Meus netos brincavam de carrinho na sala quando se desentenderam por algum motivo e o mais velho levantou a mão. O menor gritou: Ai!!! Ao que o mais velho retrucou: mas eu ainda nem bati em você! E o menor: Ah mas eu sabia que ia doer…

Meu neto estava demonstrando como a dor mental estava imaginando a dor física esperada. Isso me fez pensar sobre a dor. Fui procurar seu significado no dicionário: “sensação desagradável ou penosa causada por ferimento corporal ou doença; sofrimento ou tormento emocional ou mental”.

Quando sentimos o primeiro sinal de dor, o que fazemos? Em geral corremos para a farmácia em busca de um comprimido ou injeção, ou qualquer coisa que faça aquela dor “desaparecer”. O que estamos dizendo para nosso corpo? Estamos dizendo: Quieto, não quero ouvir! Não tenho tempo para isso!

Os remédios irão acalmar a dor por um tempo, mas ela voltará mais forte. Primeiro aos sussurros, depois aos gritos e finalmente nos nocauteando. Aí sim! Teremos que arrumar tempo para prestar atenção à dor.

Acredito que a dor vem nos trazer uma mensagem. Na realidade ela esta tentando nos dizer algo. Ela é um recurso do corpo para nos avisar de que há algo errado na nossa vida.

Às vezes dói muito, outras pouco. Às vezes a mensagem é óbvia, como a dor de estômago que tortura durante a semana e “milagrosamente” desaparece no fim de semana. Ou a dor da ressaca depois de uma noite de bebedeira. Outras é mais difícil de ser entendida, como uma doença grave, um acidente, uma epidemia.

Não espere ser nocauteado para se fazer a pergunta: “Qual foi a minha contribuição para esta dor aparecer? O que ela quer me dizer? O que preciso saber? O que preciso mudar na minha vida?”.

É lógico que o fato de se fazer estas perguntas não irá fazer a dor desaparecer imediatamente. Afinal ela demorou a ser vista e talvez leve um tempo até que perceba que cumpriu com a sua missão.

E então faça as mudanças que achar necessárias, mas como já ensinava Lao-Tsé: “O mais longo dos caminhos começa com o primeiro passo”.

E por minha conta: Vá devagar, passinhos de bebê são sempre mais seguros e confortáveis. Comece com pequenas mudanças. Por menores que possam parecer são passos gigantes para seu bem estar.

Voltando ao início. A dor do meu neto pequeno não se encaixa em nenhum dos exemplos acima, era puro medo. Motivo para um próximo artigo, talvez?

 

Debora Ganc é Terapeuta Sistêmica, Constelações Familiares, Constelações Empresariais. Gestalt e Programação Neurolinguística.

Debora Ganc escreve às quartas-feiras aqui no Universo Jatobá.

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