Ujatoba_casal_dancando

Amor adolescente; sexo ou amor?

por Pagan Senior

A respiração ofega, o coração dispara; se aproxima hesitante com seus passos quase trôpegos. Engole em seco, mas firma o olhar. Estende a mão; ela pega e se levanta, olhar baixo.

“Sentindo o frio Em minha alma Te convidei prá dançar” (1)

Mão sem jeito na cintura, a outra na mão. A dela na pontinha do ombro, quase no braço. Os pés demoram a se acertar. Pra direita? Pra esquerda? Por onde começar?

“A tua voz me acalmava São dois prá lá Dois prá cá…” (1)

Ela abaixa a cabeça envergonhada. Ambos estão ofegantes juntos e separados. Um sorriso sem jeito. E se ela percebe? E se ele perceber?

Os bicos dos sapatos se esbarram, outro sorriso de desculpas. A música ajuda, lenta. “São dois prá lá; dois prá cá…”

Um olhar olha no olho, o outro olhar escapa, mas  um sorriso fugaz  se deixa mostrar.

As cabeças se aproximam acidentalmente, ele olha para o longe, ela olha para o longe. De repente o toque das faces. Como ímãs da mesma polaridade, se repelem; pouco a pouco se deixam tocar acidentalmente de novo. E sorriem por dentro. E ficam. Um coração dispara. E dispara mais ainda quando percebe outro coração disparado.

A mão na cintura puxa levemente, morrendo de medo da rejeição. A mão na mão puxa levemente para si. A mão do ombro registra o movimento e desliza  um pouco ombro acima.

Uma variação no movimento da dança e os corpos se tocam. E se tocam esses volumes cálidos. Não pode ser. Se afastam. Os volumes aumentam e se procuram. Febre! Nada menos do que febre. Faces queimando, mãos suando, olhos perdidos de medo, melhor fecha-los. Secura na boca, tremor nas pernas. Corpos ansiosos por se tocar novamente.

A canção se instala na cabeça:

“Meu peito agora dispara Vivo em constante alegria É o amor que está aqui; Amor I Love You, Amor I Love You, …..” (2)

A noite termina e fica a sensação:

“… sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!” (3)

De outra feita um dedo escorre numa alça, um arrepio denuncia. Olhos fechados para suportar. Mão trêmula avança num decote. Mão na mão dizendo ainda não, fazendo promessas…

Finalmente está descoberto, revelado e experimentado o amor!!!

Será? Ou é sexo?

A experiência inicial não sabe que é inicial, tem certeza que é definitiva! “É o amor que está aqui; Amor I Love You, Amor I Love You, …”

Nossa roqueira maior se esmera ao explicar:

“Amor é cristão Sexo é pagão Amor é latifúndio Sexo é invasão Amor é divino Sexo é animal Amor é bossa nova Sexo é carnaval” (4)

Mas quem acredita? Não, não, encontrei! É esse e pra sempre!

Quando rufam os tambores nas partes baixas, quando revoam borboletas no estômago, como distinguir? Como saber onde está o fio do amor neste emaranhado novelo de emoções?

1 – Dois pra lá, dois pra cá. (João Bosco/Aldir Blanc)

2-  Amor I Love You – (Carlinhos Brown/Marisa Monte)

3-  Primo Basílio – (Eça de Queirós)

4- Amor e Sexo – (Rita Lee)

 

Pagan Senior é engenheiro civil, com atuação institucional na área de Coleta Seletiva e Reciclagem na Cidade de São Paulo. É também ator diletante.

Pagan Senior escreve às quintas-feiras aqui no Universo Jatobá.

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