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Idosos criminosos

por Giana Ramos

Estava meditando em um pensamento do escritor Marinho Guzman, que diz: “Os canalhas também envelhecem”, em que ele disserta sobre os políticos e os ladrões. Então, resolvi dar uma olhada nos dados sobre a população carcerária no Brasil com mais de 60 anos. Pensei que nem fosse contabilizado, mas tomei um susto, até porque, muitas vezes, o idoso inicia na vida do crime quando está na última fase da vida. O que o leva para esse caminho? Vamos descobrir agora!

Nos últimos 20 anos, houve um aumento de 450% da população carcerária no Brasil. São 500 mil presos, a quarta maior população de detentos do mundo, atrás apenas dos EUA, China e Rússia. Estelionato, roubos, agressões, tráfico de drogas e crimes de natureza sexuais são os delitos mais comuns nessa faixa etária.

Com o aumento da expectativa de vida, as pessoas que agiam de má fé chegam aos 60 anos e ainda mantêm os velhos hábitos, a maioria das vezes motivadas pelo uso excessivo de álcool e drogas. Mas, não é sempre assim que acontece. Em muitos casos, o idoso preso iniciou-se na vida do crime já com mais de 60 anos por incentivo de parentes ou amigos que se aproveitaram da fragilidade emocional, somando com a baixa renda proporcionada por aposentadorias pífias e a promessa de uma vida melhor. Então, usam esses idosos para disfarçar golpes ou realizar roubos.

Depois que li tudo isso, fui atrás do cenário carcerário pelo mundo e, para nossa tristeza, muitos países estão sofrendo com essa mudança no cenário atual. Na Europa, cada vez mais, idosos cometem crimes. A França divulgou um estudo detalhado sobre a perspectiva de ter de equipar suas penitenciárias para poder receber presos com mais de 65 anos, instalando rampas para cadeiras de rodas e suportes adaptados para pessoas com dificuldades. Acredita-se que as taxas de crimes cometidos por idosos passem de 2% para 4%, um aumento de 20 mil para 40 mil casos.

Mudando um pouco o ponto de vista e voltando para a realidade brasileira, estava lendo um artigo da na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, que pesquisou como os idosos estão envelhecendo dentro de nossas penitenciárias. A conclusão é que esse público sente-se decadente, desvalorizado, cansado e adoecendo. Claro que todo nosso sistema prisional tem problemas, muitos desses locais não auxiliam na reabilitação do convívio social, mas, quando se trata de idosos, existe um estatuto que garante a mínima dignidade e proteção, esse também não está sendo seguido.

Temos que pensar nesse quadro como um problema social, pois, com o envelhecimento da população, teremos cada vez mais casos de idosos aparecendo nos telejornais algemados ou procurados. Esse é o exemplo que queremos deixar para as próximas gerações? Acho que não!

 

Dra. Giana Ramos é graduada em fisioterapia (São Camilo – SP), Especialista em ortopedia e traumatologia (Santa Casa – SP), Especialista em Docência no ensino superior (SENAC – SP). Formação em Reeducação Postural Global e Auriculoterapia – (FENAFITO – SP). Professora do curso de formação de cuidadores de idosos (SENAC – SP), empresária do Centro de Atendimento Especializado (CAESP SAÚDE), gestora do programa de qualidade de vida na terceira idade da Vila Maria Zélia – Belenzinho – SP.

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