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Uma nova visão

por Universo Jatoba

– O que você fez na cara?

– Só uma plástica nas pálpebras.

– Ficou muito esticada, mudou a expressão e você ganhou uma cicatriz!

– Eu sei. Vou fazer um retoque. E o que achou dos lábios mais carnudos?

– Ficou beiçuda demais. Você entrou num devaneio de se parecer com a Angelina Jolie…

-Pelo menos o botox funcionou!

-Como funcionou? Sua cara está lisa, inchada, inexpressiva. E essas sobrancelhas arqueadas…e o que aconteceu com suas bochechas?

– Injetei silicone.

– Parece que levou vários tapas na cara ou chorou a noite toda!

– E o que achou da minha lipo?

– Não adiantou nada! Está cheia de celulite, gordura localizada. Trate de fazer uma dieta, antes de cair na faca.

O diálogo faz parte de uma crônica que escrevi tempos atrás sobre a luta inglória que muitas  mulheres modernas travam com o espelho.

Obcecadas por um ideal de perfeição, que  vira parâmetro de realização individual, uma meta que precisa ser conquistada a qualquer custo, muitas cometem exageros e loucuras. Insatisfeitas com a autoimagem, ou seja,  com o conceito que têm de si mesmas, não enxergam  beleza em si próprias, fazendo do corpo uma fonte inesgotável de ansiedade e frustração.

Uma pesquisa da Unilever mostra que apenas 4% das mulheres se consideram bonitas. O peso está acima do normal para 47% das entrevistadas, mesmo que, tecnicamente, muitas delas não tenham sobrepeso. A afirmação “quando me sinto menos bonita, sinto-me pior em geral”, teve 48% de concordância. A afirmação de que “mulheres bonitas têm maiores oportunidades na vida” obteve a concordância plena de 45% das entrevistadas. As mulheres brasileiras são as que mais consideraram a hipótese de cirurgia plástica, constituindo o índice mais alto entre todos os países.

A beleza, portanto, é vista como um atributo de poucas, daquelas que se assemelham às mulheres exibidas na TV e nas capas de revista.  Para 68% das entrevistadas, a mídia divulga um padrão de beleza que as mulheres nunca poderão alcançar.

Resultado: a imensa maioria do população feminina sofre não apenas pelos quilos extras, mas também pelo cabelo ondulado, pelos seios pequenos, entre tantas outros características  que, por um motivo ou outro, fogem do tipo tido  como ideal.

Um documentário da Unilever, o “Real Beauty Sketches” (Retratos da Real Beleza), conseguiu captar a essência desta autocrítica tão acirrada.

Um especialista em retratos falados do FBI desenha o rosto de 7 mulheres a partir da  autodescrição delas. Ele não as vê, já que estão escondidas atrás de uma cortina. Em seguida, desenha as mesmas mulheres com base no depoimento de outras pessoas que as observaram por um curto período de tempo. Aí vem a surpresa! Na comparação entre os retratos, os que foram produzidos a partir da autopercepção das mulheres são sempre mais feios, tristes, carrancudos. Ou seja, a forma como as mulheres se veem é mais rigorosa, mais dura, em comparação  com a maneira como  são vistas.

E o mais incrível: quando as mulheres  veem os dois retratos lado a lado, se tocam desta visão distorcida que têm de si próprias. Algumas choram. Muitas aparentam um certo constrangimento por se cobrar tanto, se sabotar ou se maltratar com a pressão que exercem sobre si mesmas. Mas quase todas parecem aliviadas quando se dão conta de que são mais bonitas do que pensam.

O vídeo ficou entre os 10 mais compartilhados em abril deste ano no Youtube e já tem quase 50 milhões de visualizações.

As imagens fazem parte da campanha da Dove para resgatar a autoestima feminina e tem tudo para ser um chacoalhão daqueles capazes de estilhaçar este que tem sido o nosso maior inimigo, o espelho!

Estudo publicado na revista científica americana Journal of Counseling Psychology afirma que mulheres que dão mais atenção ao funcionamento do corpo, e não só a como ele é visto pelos outros, possuem uma autoimagem mais positiva do que aquelas que focam apenas na aparência. Em outras palavras, em vez de se queixar pelas pernas finas ou grossas demais, o exercício para livrar-se desta pressão constante pela conquista da beleza, seria concentra-se no que as pernas lhe permitem fazer de melhor – correr, pedalar, andar para lá e para cá.

Eu aproveito pra contar uma estorinha bem humorada que a gente precisa ter em mente, para não deixar que o padrão fomentado pela mídia – de mulheres inatingíveis – sufoque a nossa autoestima.  Antes de focar nos próprios defeitos e se desvalorizar o tempo todo, pense nisso:

“Ela se olhou no espelho e viu que possuía apenas três fios de cabelo. Sem titubear, fez uma trança. No dia seguinte, reparou que só tinha dois fios de cabelo em sua cabeça. Sem pestanejar, fez uma risca no meio. No terceiro dia, só lhe restava um fio. Sem susto, nem medo, fez um rabo de cavalo. Na manhã seguinte, notou que estava careca.

Maravilha! Hoje não terei que me pentear!

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